sexta-feira, 17 de outubro de 2025

COP30: Mudanças climáticas afetam a saúde dos trabalhadores

Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade alerta sobre como o aquecimento global impacta a saúde dos trabalhadores, principalmente os que atuam externamente

 

Com a intensificação das temperaturas, trabalhadores podem sofrer danos bruscos à saúde. Problemas não apenas com o calor excessivo prejudicam o bem-estar das pessoas que exercem atividades remuneradas que ficam expostas a riscos como cardiovasculares, respiratórios, renais, além de problemas de ordem mental. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) indica a urgência da preservação do clima com foco em amenizar o agravamento da saúde das pessoas. 

De acordo com relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os impactos no clima provocados pelo aquecimento global agravam a saúde de 70% dos trabalhadores de todo o mundo. Pelo menos 2,41 bilhões de trabalhadores são expostos anualmente ao calor excessivo no trabalho. 

Aqui no Brasil, o cenário não poderia ser diferente. Vivemos em um país tropical, onde trabalhadores/as ficam expostos a altas temperaturas e a climas extremos e muito variáveis em um único dia. Ambulantes, agricultores, carteiros, coletores, pintores, atuantes na manutenção da rede elétrica, entregadores, operários da construção civil, entre muitas outras ocupações sentem na pele, literalmente, e no corpo, o impacto das transformações que as mudanças climáticas provocam no nosso dia a dia. 

“O racismo ambiental é outro tópico que precisa de atenção. Ele se manifesta de forma evidente nos trabalhadores mais expostos a calor extremo, que em sua maioria são homens e mulheres negras e tem um impacto econômico ainda maior nesta população que compõem a maior parte de sua renda em trabalhos informais e precarizados", explica Brenda Costa, médica de família e comunidade, diretora de comunicação da SBMFC. 

Além do risco de estresse térmico, pela alta exposição solar, na maioria das vezes sem proteção, os trabalhadores estão sujeitos a exaustão pelo calor, cãibras térmicas, brotoeja, doenças cardiovasculares, lesão renal aguda, doença renal crônica, lesões físicas, entre outros. Ainda, temos o aumento do número de doenças transmitidas por vetores como dengue, zika, chikungunya, malária e febre amarela, já que a incidência dessas doenças passa a ser maior devido ao aumento das temperaturas do ano todo. 

A adoção de vestimenta apropriada e uso de produtos como repelente e filtro solar não são suficientes para a redução desses danos. A oferta, por parte das empresas, de ventilação adequada, estabelecimento de pausas regulares, treinamentos e disponibilizar EPIs e equipamentos de segurança pode amenizar esses riscos. A implementação de políticas públicas de proteção a esses trabalhadores com foco nas mudanças climáticas e preservação do planeta é outra demanda urgente. 

"Precisamos nos conscientizar sobre a necessidade de preservação do planeta em todas as esferas ou vamos sofrer ainda mais. A água, solo e ar já sofrem com os poluentes lançados diariamente em todo o mundo afetando a nossa saúde. A redução de emissão de gases na atmosfera, assim como a preservação dos lagos, rios e oceanos, são fundamentais para a nossa sobrevivência da atual e futuras gerações", reforça Brenda que é mestre em Saúde Pública pela ENSP/ FIOCRUZ. 

E esse é um papel da sociedade como um todo, incluindo das empresas, mesmo aquelas que não tem equipes atuando externamente. Algumas simples medidas já contribuem para a redução do impacto, como adoção de práticas sustentáveis, a partir da redução do uso do papel ou plástico, reduzindo assim a produção de lixo e caso, seja realmente necessário, implementar programas de reciclagem ou parcerias com organizações que reciclam, além de outros projetos sustentáveis.

 

Medicina de Família e Comunidade


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