Psicóloga destaca como ressignificar a imagem corporal e adotar práticas de autocuidado
O câncer de mama é uma das doenças que mais afeta a autoestima feminina, não apenas pelo impacto físico, mas também pelas mudanças emocionais e sociais que provoca. Além de lidar com o tratamento, muitas mulheres enfrentam sentimentos de insegurança, medo e tristeza que podem comprometer a confiança em si mesmas.
Segundo Talita Rocha, professora de Psicologia da Una Uberlândia, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, a autoestima está diretamente ligada às crenças que a pessoa tem sobre si. “O câncer de mama, por envolver o corpo, a saúde e a feminilidade, pode gerar pensamentos automáticos negativos como ‘não sou mais atraente’ ou ‘meu corpo está defeituoso’. Isso leva a comportamentos de isolamento social e aumenta a ansiedade e a depressão”, explica.
As mudanças na imagem corporal, como a queda de cabelo, cicatrizes e a mastectomia, funcionam como gatilhos visíveis que lembram constantemente da doença. Rocha destaca que, em muitos casos, surgem distorções cognitivas relacionadas à aparência. “Esses pensamentos negativos afetam o bem-estar emocional e podem favorecer a ansiedade social, dificultando a retomada das interações prazerosas”, pontua a especialista.
Mesmo
após o fim do tratamento, o desafio de reconstruir a autoconfiança permanece.
“Ainda há o medo da recidiva, inseguranças sobre a vida sexual e social, além
de dificuldades em lidar com a imagem corporal. A terapia ajuda a transformar
crenças de fragilidade e incapacidade em pensamentos mais funcionais, como
‘tenho força para enfrentar desafios’”, afirma Rocha.
Retomando a autoestima
Para ajudar nesse processo, a especialista sugere estratégias práticas que estimulam a reconexão com a identidade e a feminilidade. Algumas delas incluem:
- Autocuidado diário: criar pequenas rotinas de beleza ou bem-estar,
como hidratar a pele, maquiar-se ou escolher roupas que tragam confiança.
- Atividades físicas adaptadas: contribuem para a sensação de
vitalidade e fortalecem a confiança no corpo.
- Exploração de hobbies: dança, escrita, música, artesanato ou outras
atividades que reforcem talentos e identidade além da doença.
- Exposição gradual: retomar, aos poucos, situações sociais que geram
vergonha ou insegurança.
- Treino de habilidades sociais: praticar assertividade para lidar
com comentários ou olhares.
Ressignificando as marcas visíveis
Outro ponto importante é ressignificar as cicatrizes e mudanças físicas. Em vez de enxergá-las como marcas de perda, a psicóloga sugere interpretá-las como símbolos de vitória. Para isso, Rocha sugere diferentes técnicas:
- Diário de pensamentos: registrar crenças negativas sobre a imagem
corporal e substituí-las por ideias mais realistas e compassivas.
- Exercícios de autoafirmação: proferir frases positivas ligadas à
superação, como “meu corpo mostra minha coragem”.
- Exposição gradual no espelho: olhar-se de forma orientada e progressiva, reduzindo a autocrítica e aumentando a familiaridade com a nova imagem.
Para
a especialista, o mais importante é lembrar que a mulher vai além do
diagnóstico. “O processo de reconstrução da autoestima não significa negar as
marcas deixadas pelo câncer, mas reconhecê-las como parte de uma história de
superação e coragem”, finaliza.
Centro Universitário Una
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