sábado, 11 de outubro de 2025

Como recuperar a autoestima após o câncer de mama

Psicóloga destaca como ressignificar a imagem corporal e adotar práticas de autocuidado  


O câncer de mama é uma das doenças que mais afeta a autoestima feminina, não apenas pelo impacto físico, mas também pelas mudanças emocionais e sociais que provoca. Além de lidar com o tratamento, muitas mulheres enfrentam sentimentos de insegurança, medo e tristeza que podem comprometer a confiança em si mesmas. 

Segundo Talita Rocha, professora de Psicologia da Una Uberlândia, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, a autoestima está diretamente ligada às crenças que a pessoa tem sobre si. “O câncer de mama, por envolver o corpo, a saúde e a feminilidade, pode gerar pensamentos automáticos negativos como ‘não sou mais atraente’ ou ‘meu corpo está defeituoso’. Isso leva a comportamentos de isolamento social e aumenta a ansiedade e a depressão”, explica. 

As mudanças na imagem corporal, como a queda de cabelo, cicatrizes e a mastectomia, funcionam como gatilhos visíveis que lembram constantemente da doença. Rocha destaca que, em muitos casos, surgem distorções cognitivas relacionadas à aparência. “Esses pensamentos negativos afetam o bem-estar emocional e podem favorecer a ansiedade social, dificultando a retomada das interações prazerosas”, pontua a especialista. 

Mesmo após o fim do tratamento, o desafio de reconstruir a autoconfiança permanece. “Ainda há o medo da recidiva, inseguranças sobre a vida sexual e social, além de dificuldades em lidar com a imagem corporal. A terapia ajuda a transformar crenças de fragilidade e incapacidade em pensamentos mais funcionais, como ‘tenho força para enfrentar desafios’”, afirma Rocha.

 

Retomando a autoestima

Para ajudar nesse processo, a especialista sugere estratégias práticas que estimulam a reconexão com a identidade e a feminilidade. Algumas delas incluem: 

  • Autocuidado diário: criar pequenas rotinas de beleza ou bem-estar, como hidratar a pele, maquiar-se ou escolher roupas que tragam confiança.
  • Atividades físicas adaptadas: contribuem para a sensação de vitalidade e fortalecem a confiança no corpo.
  • Exploração de hobbies: dança, escrita, música, artesanato ou outras atividades que reforcem talentos e identidade além da doença.
  • Exposição gradual: retomar, aos poucos, situações sociais que geram vergonha ou insegurança.
  • Treino de habilidades sociais: praticar assertividade para lidar com comentários ou olhares.

 

Ressignificando as marcas visíveis

Outro ponto importante é ressignificar as cicatrizes e mudanças físicas. Em vez de enxergá-las como marcas de perda, a psicóloga sugere interpretá-las como símbolos de vitória. Para isso, Rocha sugere diferentes técnicas: 

  • Diário de pensamentos: registrar crenças negativas sobre a imagem corporal e substituí-las por ideias mais realistas e compassivas.
  • Exercícios de autoafirmação: proferir frases positivas ligadas à superação, como “meu corpo mostra minha coragem”.
  • Exposição gradual no espelho: olhar-se de forma orientada e progressiva, reduzindo a autocrítica e aumentando a familiaridade com a nova imagem. 

Para a especialista, o mais importante é lembrar que a mulher vai além do diagnóstico. “O processo de reconstrução da autoestima não significa negar as marcas deixadas pelo câncer, mas reconhecê-las como parte de uma história de superação e coragem”, finaliza.

 

Centro Universitário Una


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