Se
aumentar imposto de alguns profissionais qualificados e denominados
de “mais ricos”, os R$ 5 mil não estão fazendo favor algum; estão fazendo
caridade com o chapéu alheio.
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Um dos assuntos que mais têm gerado discussões nos
últimos dias é a aprovação da isenção do IR, projeto aprovado por
unanimidade pela Câmara dos Deputados, mas que ainda deve passar pelo
Senado e ser sancionado pelo presidente Lula.
Mesmo não estando em vigor, a pauta é acalorada
e divide opiniões. Afinal, quem ganha e quem perde com essa isenção?
O brasileiro, sem dúvidas!
Já comentei em outras publicações que essa medida é
um retrocesso fiscal para o Brasil. Para isentar uma parte da população,
com rendimentos, outra parcela de trabalhadores mais qualificados, acabam
sendo chamados de “mais ricos”.
Vale lembrar que a questão dos R$ 5 mil dado hoje
como uma benesse para os trabalhadores não passa de uma simples correção
da tabela se fossem incorporadas todas as perdas inflacionárias. Por que
se hoje fosse analisar uma correção sem ser manipulada, ela já teria
chegado a esse valor de R$ 5 mil há muito tempo.
Especialistas dizem que, aproximadamente, 15
milhões de pessoas serão beneficiadas com essa medida. Ou seja, para que
uma parcela da população seja isenta, outra passará a arcar com esse
tributo para compensar a arrecadação. Segundo estimativas do Governo Federal,
essa isenção deve injetar R$ 25,8 bilhões aos cofres públicos já em 2026.
Outro fator que está gerando insatisfação é a
tributação sobre lucros e dividendos, que, até então, são isentos de IR. O
que estamos vendo é uma forma de impedir a prosperidade financeira das
pessoas e o crescimento da economia. Afinal, a aprovação da isenção visa
interesses próprios do governo e impede que novos investidores entrem no
mercado, principalmente aqueles que estão começando a investir.
Se aumentar imposto de alguns profissionais
qualificados denominados de “mais ricos”, os R$ 5 mil não estão fazendo
favor algum, estão fazendo caridade com o chapéu alheio. É um direito do
trabalhador se a tabela de correção do Imposto de Renda fosse respeitada.
Por outro lado, aquilo que se está qualificando como "muitos
ricos", na verdade não passam de profissionais
qualificados que, por meio de estudos, se profissionalizaram e chegaram a
um bom cargo. Essas pessoas denominadas “ricos” são pessoas que
tiveram meritocracia e salários pelo seu valor profissional.
No início deste ano, o ministro da Fazenda,
Fernando Haddad, citou que essas mudanças no Imposto de Renda seriam uma
questão de “neutralidade fiscal e justiça social”. Na prática, sabemos não ser
verdade. Mas enfim, estamos nas mãos do Governo Federal e, a essa altura,
prestes a ser sancionado pelo presidente Lula, nos resta esperar os
resultados dessa falta de gestão e planejamento fiscal que, a meu ver, não
trará bons frutos.
Mas, de antemão, já é previsto que a saída de domicílio
fiscal no Brasil só tende a aumentar. Para quem fica, e certamente não são
os mais favorecidos economicamente, resta assistir ao espetáculo do
declínio econômico e fiscal do país, que, consequentemente, atingirá os
menos favorecidos.
Roberto
Mateus Ordine - Advogado
e presidente da ACSP
Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/aprovacao-da-isencao-do-ir-quem-ganha-e-quem-perde
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