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Nos EUA, 58% do consumo de suco envolve o chamado suco reconstituído - produto concentrado que, após ser exportado, é diluído em água e leva ingredientes como óleos essenciais e células cítricas. Esses ingredientes não escaparam da tarifa de 50%
O setor exportador de suco de
laranja do Brasil pode registrar perdas imediatas de R$ 1,54 bilhão, mesmo de
fora da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. O prejuízo decorre da
inviabilidade econômica das exportações de subprodutos, taxadas em 50%, que
renderam US$ 177,8 milhões na safra passada (equivalentes a R$ 973,6 milhões).
Soma-se a esse valor o impacto estimado da tarifa de 10% sobre o suco de
laranja, calculado em US$ 103,6 milhões (R$ 566,7 milhões).
Os valores consideram o volume
registrado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) na safra 2024/25,
informou hoje em comunicado a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos
Cítricos (CitrusBR). Segundo a entidade, os subprodutos da cadeia citrícola são
amplamente utilizados tanto pela indústria de bebidas quanto pela de
cosméticos.
Nos Estados Unidos, cerca de
58% do consumo de suco é composto por suco reconstituído - produto concentrado
a 66% de partes sólidas, com consistência semelhante à do leite condensado.
Após a importação, esse suco recebe água até atingir sua diluição natural, com
cerca de 12% de partes sólidas.
"Muitos desses produtos
dependem de ingredientes como células cítricas - os gominhos da laranja - e
óleos essenciais responsáveis pelo aroma, e esses insumos estão sobretaxados em
50%, o que inviabiliza a operação", afirmou na nota o diretor-executivo da
CitrusBR, Ibiapaba Netto. "Isso pode ter efeito negativo na experiência do
consumidor, prejudicar as empresas americanas e, por consequência, causar
impacto em toda a cadeia brasileira."
Os óleos essenciais também são
fundamentais para a indústria de cosméticos, pois conferem as notas cítricas
aos perfumes. Os Estados Unidos respondem por fatias expressivas das
exportações brasileiras desses insumos: cerca de 36% no caso do óleo essencial
prensado, 39% para o óleo comum e quase 60% para o d-limoneno, utilizado em
fragrâncias e solventes naturais. "Pode ser um impacto muito grande para
esses setores", reforçou Netto.
Além do impacto tarifário, o
setor enfrenta uma forte retração nos preços internacionais, consequência do
aumento de 36% na oferta de frutas em relação à safra anterior, segundo dados
do Fundecitrus. De acordo com a Secex, o preço médio da tonelada exportada para
os Estados Unidos na safra passada foi de US$ 4.243. Na cotação de 7 de agosto,
o valor caiu para US$ 3.387 - uma redução de 20,17%.
Mantido o volume exportado, a
perda estimada de receita com a desvalorização é de US$ 261,8 milhões, o
equivalente a R$ 1,43 bilhão. Somando os efeitos das tarifas à queda nas
cotações, as perdas totais do setor podem ultrapassar R$ 2,9 bilhões.
"Embora o setor esteja aliviado por ter sido incluído na lista de exceções,
os impactos são significativos, principalmente em um contexto de mercado
desafiador como o deste ano", avaliou Netto.
Estadão Conteúdo
Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/subprodutos-do-suco-de-laranja-sao-afetados-pelo-tarifaco-perda-de-r-1-5-bi

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