Mudanças
significativas entrarão em vigor em janeiro de 2026, exigindo planejamento
antecipado das organizações
A Reforma Tributária instituída
pela Emenda Constitucional nº 132/2023 representa uma das maiores
transformações no sistema fiscal brasileiro em décadas. Com implementação
prevista para janeiro de 2026, a recomendação é que as empresas iniciem sua
preparação imediatamente para evitar problemas de conformidade e interrupções
operacionais.
“Estamos diante de uma mudança
estrutural no sistema tributário que vai muito além de meras alterações de
alíquotas. As empresas que postergarem sua adaptação correm sério risco de
enfrentar dificuldades operacionais significativas quando a reforma entrar em
vigor. O momento de agir é agora, não quando estivermos ainda mais próximos do
prazo final”, afirma Ulisses Brondi, advogado especialista em direito
tributário e CEO da ASIS, empresa de tecnologia focada em gestão
tributária.
A reforma afetará diretamente
diversos aspectos da operação empresarial. A mudança para um modelo de imposto
“por fora” exigirá uma completa revisão das estratégias de precificação e
margens de lucro. Alterações no timing de apuração e recolhimento dos tributos
impactarão o fluxo de caixa e as necessidades de capital de giro das
organizações.
Operações interestaduais
enfrentarão novos requisitos para garantir a correta arrecadação no estado de
destino, enquanto a implementação do sistema de split payment (pagamento
fracionado do imposto) alterará significativamente a dinâmica financeira entre
fornecedores e clientes.
“As empresas precisam entender
que esta reforma afeta praticamente todos os departamentos - do comercial ao
financeiro, da logística à contabilidade. É um equívoco pensar que apenas o
setor fiscal será impactado”, acrescenta Brondi. “Recomendamos fortemente a
criação de um comitê multidisciplinar dedicado a mapear todos os processos que
serão afetados e planejar as adaptações necessárias.”
Outro ponto crítico destacado
pelos especialistas é o fim dos regimes especiais, que impactará diretamente
modelos operacionais construídos com base em benefícios fiscais existentes.
Empresas que operam sob condições especiais precisarão revisar completamente
seus modelos de negócio.
Cinco ações essenciais para se adaptar
à Reforma Tributária
Para ajudar as empresas a se
prepararem adequadamente para as novas regras, o especialista recomenda cinco
ações prioritárias:
1. Estabeleça um comitê multidisciplinar
dedicado
A criação de um grupo de trabalho
com representantes de áreas-chave como fiscal, financeiro, comercial, TI e
jurídico é fundamental para mapear todos os impactos da reforma. “Este comitê
deve ter autonomia e recursos para coordenar todo o processo de adaptação,
desde o diagnóstico inicial até a implementação final das mudanças
necessárias”, recomenda Brondi. Reuniões periódicas e relatórios de progresso
ajudarão a manter o projeto nos trilhos.
Para Pequenas e Médias Empresas
(PMEs), que não contam com a mesma estrutura de grandes corporações, é
essencial designar um líder interno com autonomia para coordenar as ações. Além
disso, buscar suporte externo especializado de contadores e consultorias é
fundamental, utilizando a tecnologia e sistemas de gestão atualizados para
otimizar processos. Priorizar os impactos diretos e participar de associações
do setor também são estratégias inteligentes para garantir a conformidade e
aproveitar as oportunidades.
Especialmente aos optantes do
Simples Nacional, se preparar para a Reforma Tributária com foco em
planejamento e adaptação é essencial, o primeiro passo é entender as mudanças e
avaliar, junto ao contador, se permanecer no Simples continuará sendo vantajoso
ou se a migração para outro regime tributário poderá trazer benefícios.
2. Revise sua estratégia de
precificação
O modelo de imposto “por fora”
exigirá uma reformulação completa na forma como as empresas calculam seus
preços. “As empresas precisam simular diferentes cenários de precificação, considerando
o impacto nas margens e na competitividade”, explica o advogado tributarista e
CEO da ASIS. Isso inclui a revisão de contratos com clientes e fornecedores,
ajustes em tabelas de preços e possível negociação de acordos comerciais de
longo prazo.
3. Atualize seus sistemas de
gestão
A adaptação tecnológica é
imprescindível. “Empresas que mantêm sistemas desatualizados enfrentarão
enormes dificuldades para se adequar às novas regras. É essencial verificar
junto aos fornecedores de tecnologia os cronogramas de atualização, garantir a
compatibilidade entre diferentes módulos e sistemas, e planejar janelas de
manutenção que não interrompam operações críticas do negócio”, alerta Ulisses.
Para apoiar esse processo, na
Sankhya disponibilizamos um sistema de simulação da reforma que permite ao
empresário analisar, de forma gradual e ano a ano, os impactos nos preços,
fornecedores e clientes. Com base nesses dados, é possível revisar sistemas,
ajustar cadastros e preparar a operação para uma transição segura e
estratégica.
4. Realize testes rigorosos e
simulações
Antes da implementação oficial, é
fundamental testar exaustivamente como os novos processos funcionarão na
prática. “Recomendamos criar um ambiente de testes que replique ao máximo as
condições reais de operação”, sugere o especialista. Isso inclui simular
diferentes tipos de transações, testar integrações entre sistemas e validar
relatórios fiscais. Os erros identificados devem ser documentados e corrigidos
metodicamente.
Além disso, revisar o cadastro
fiscal atual, bem como realizar auditorias e cruzamentos de dados antes da
implementação da nova sistemática, é essencial para garantir uma migração
segura, evitar autuações e assegurar que o novo modelo reflita corretamente a
realidade tributária da empresa.
5. Estabeleça um sistema de
monitoramento contínuo
Mesmo após a implementação
inicial, a regulamentação continuará evoluindo. “As empresas precisam
estabelecer um processo sistemático para acompanhar mudanças legislativas e
ajustar rapidamente seus processos”, orienta Brondi. Isso inclui designar
responsáveis pelo monitoramento de novas publicações oficiais, participar de
grupos setoriais de discussão e manter canal aberto com consultores
especializados.
“O maior erro que vemos as
empresas cometendo é esperar a regulamentação completa para iniciar a
preparação. Isso é extremamente arriscado. Mesmo que alguns detalhes ainda
estejam sendo definidos, as linhas gerais da reforma já estão claras e permitem
iniciar o trabalho preparatório”, adverte o advogado.
Um alerta importante diz respeito
à provável escassez de recursos de consultoria e suporte técnico nos meses que
antecedem a implementação obrigatória. Com milhares de empresas buscando
assistência simultaneamente, aquelas que deixarem para a última hora poderão
enfrentar dificuldades para obter o suporte necessário.
Fornecedores de tecnologia já
estão investindo no desenvolvimento e aprimoramento de soluções alinhadas às
novas diretrizes tributárias. As empresas são aconselhadas a manter contato
próximo com seus parceiros tecnológicos e aproveitar recursos como manuais,
webinars e treinamentos específicos.
“A validação antecipada de
processos em ambientes de teste é fundamental”, finaliza Brondi. “As empresas
precisam garantir que seus sistemas estejam não apenas tecnicamente preparados,
mas que suas equipes saibam operá-los corretamente sob as novas regras. Esta é
uma transformação que vai muito além de simplesmente atualizar um software.”
As organizações interessadas em se aprofundar no tema devem buscar informações nos canais oficiais do governo, como o portal da Reforma Tributária no site do Ministério da Fazenda, além de consultar seus parceiros financeiros e tecnológicos para orientações específicas ao seu setor.
Ulisses Brondi - advogado tributarista, especialista em direito tributário e referência em inovação fiscal. Com mais de 24 anos de experiência na área, fundou a ASIS, empresa de tecnologia focada em gestão tributária adquirida pela Sankhya em 2024, e desenvolveu uma das primeiras plataformas do país voltadas à automação fiscal. Hoje, lidera iniciativas que simplificam a gestão tributária por meio da tecnologia e inovação também na Sankhya.
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