Repensar a trajetória é possível em
qualquer idade; especialista orienta profissionais e empresas sobre
contratações de pessoas maduras
As contratações de profissionais 50+ cresceram 8,8% entre 2023 e 2024,
segundo o Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE), o que representa quase 700
mil novos postos de trabalho. Ainda que uma mudança de carreira após os 50 anos
seja vista como desafiadora, por conta de estereótipos e até do etarismo, é um
movimento possível e que deve ser incentivado. Para isso, é importante que os
talentos que estão nesta busca façam uma autoavaliação e determinem suas
prioridades para tomar a decisão de forma estratégica.
“Exige muita coragem enfrentar o convencional e decidir mudar de
carreira no meio de uma trajetória profissional extensa. Mas, assim como para
qualquer faixa etária, explorar novos caminhos também é importante para
profissionais 50+. Eles combinam experiência, maturidade emocional,
responsabilidade, visão estratégica e, sobretudo, capacidade de serem mentores
para novas gerações. Independentemente da área em que irão atuar, serão
profissionais valiosos”, comenta Wilma Dal Col, diretora de recursos humanos da
consultoria ManpowerGroup.
Assim como os talentos, as empresas também devem se atentar a essas demandas. A escassez de talentos e as mudanças socioeconômicas - como, por exemplo, o envelhecimento da população - exigem que elas repensem suas políticas de contratação e inclusão dessa geração. “Empresas que forem receptivas à diversidade geracional poderão observar um crescimento do negócio muito positivo”, complementa Wilma.
Para orientar pessoas 50+ nessa etapa de mudança de carreira, a
executiva elenca algumas perguntas para uma autoavaliação. Confira:
1. “Quais são minhas prioridades e valores nesta fase da vida? O que me motiva a trabalhar?”
Ao longo dos anos de experiência, é comum que as
prioridades e valores mudem. Para quem pensa em mudar de área, é importante se
questionar e entender como suas prioridades vão se encaixar em uma nova
oportunidade. Da mesma forma, é preciso ter o seu propósito no trabalho como
norte.
“Um exemplo é se questionar: quero mais estabilidade financeira ou
equilíbrio com a vida pessoal? Mais leveza no dia a dia, oportunidade de
liderança ou troca com outras gerações? Essa área atende meu propósito? Elencar
as necessidades é importante para entender como e se é possível encontrar isso
em uma nova área de atuação”, comenta Wilma.
2. “Quanta autonomia busco nessa nova etapa?”
Muitos profissionais 50+ podem ter trabalhado por
bastante tempo em ambientes mais formais. “Que nível de liberdade é ideal para
mim neste momento?” é uma pergunta chave para entender, por exemplo, se você
deseja empreender por conta própria ou se prefere um ambiente com processos
mais estruturados.
3. “Como quero crescer ou evoluir nessa nova jornada?”
É essencial refletir sobre como você deseja aprender
e crescer: quer adquirir novos conhecimentos ao mesmo tempo em que compartilha
sua experiência como mentor? O mercado vai exigir adaptabilidade, pois apesar
da maturidade e experiência de gerações mais maduras, será necessário se
familiarizar com novas tecnologias, metodologias ágeis e se adaptar às rápidas
transformações.
4. “Minha situação financeira atual permite uma mudança de carreira?”
Essencial para qualquer trabalho, organizar-se
financeiramente é importante para permitir uma mudança sem maiores
preocupações. O indicado é refletir se há flexibilidade para começar na nova
área ou oportunidade com um salário menor, ou se precisará de um retorno
financeiro mais ágil.
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