Entenda a importância do diagnóstico
precoce
Quando se fala em colesterol alto, é comum associar o problema a
maus hábitos alimentares, sedentarismo e sobrepeso. No entanto, a genética pode
ter um papel ainda mais decisivo, especialmente nos casos de
Hipercolesterolemia Familiar, uma condição hereditária que afeta milhares de
brasileiros, muitas vezes sem que eles saibam.
Segundo o cardiologista Guy F. A. Prado, médico do Hospital
Evangélico de Sorocaba (HES), embora o estilo de vida tenha grande influência
nos níveis de colesterol, a genética pode ser um fator determinante e, em
alguns casos, a principal responsável. Dessa forma, mesmo uma pessoa com
hábitos de vida impecáveis pode apresentar colesterol muito alto.
A Hipercolesterolemia Familiar é uma doença genética caracterizada
por níveis muito elevados de colesterol LDL desde o nascimento. “Existe um
defeito específico em um gene herdado dos pais. Esse gene é responsável por
‘limpar’ o colesterol LDL do sangue. Como ele não funciona bem, o colesterol se
acumula nas artérias desde a infância”, explica o especialista.
Esse acúmulo precoce de gordura nos vasos pode evoluir
silenciosamente por anos e só ser descoberto após um evento cardiovascular
grave, como infarto ou AVC. “O colesterol alto é uma condição silenciosa. Ele
não causa sintomas por muitos anos, no entanto, aos poucos, formam-se placas de
gordura nas artérias (aterosclerose)”, explica.
Jovens,
saudáveis e com colesterol alto
É comum que pessoas jovens e ativas sejam surpreendidas com exames
apontando níveis elevados de colesterol. Nesses casos, pode haver um histórico
familiar por trás. “Pessoas jovens, magras e ativas podem, sim, ter colesterol
muito alto. Isso ocorre justamente nos casos de Hipercolesterolemia Familiar. É
um erro pensar que o colesterol alto é um problema exclusivo de pessoas mais
velhas ou com excesso de peso”, alerta o cardiologista.
A presença de colesterol alto na família, especialmente quando há
casos de infarto ou necessidade de cirurgias cardíacas em idade precoce, deve
acender o sinal de alerta. “O histórico familiar é fundamental e serve como o
principal sinal de alerta. Se você tem parentes em primeiro grau que
apresentaram colesterol muito alto ou sofreram problemas cardíacos em idade
jovem (infarto, angina, necessidade de ponte de safena ou stent antes dos 55
anos para homens e 65 para mulheres), suas chances de ter herdado a condição
são muito maiores”, alerta o cardiologista.
Também, na Hipercolesterolemia Familiar, se um dos pais tem o
gene, cada filho tem 50% de chance de herdá-lo. Portanto, o médico e os pacientes
devem estar atentos ao histórico familiar para aumentar a chance do
diagnóstico.
Diagnóstico
e tratamento
Como a condição é hereditária, ela já está presente desde o
nascimento. “A criança já nasce com a alteração genética e, por consequência,
com os níveis de colesterol LDL elevados”, afirma o médico. A condição, na
imensa maioria dos casos, é silenciosa. O colesterol alto não causa dor,
desconforto ou qualquer sinal perceptível. Os sintomas, como dor no peito
(angina) ou os sinais de um infarto, só aparecem quando a doença já está
avançada e as artérias estão com obstruções significativas.
Dessa forma, ainda que não apresente sintomas visíveis, em casos
mais graves podem surgir sinais físicos, como pequenas bolsas de gordura
(xantomas) nos tendões ou na pele ao redor dos olhos (xantelasmas).
O diagnóstico deve ser feito por meio de exames de sangue e, se
necessário, testes genéticos. E, mesmo que a alimentação saudável e a prática
de atividades físicas sejam recomendadas, elas não bastam para quem tem o gene
alterado. “As mudanças no estilo de vida são essenciais e obrigatórias, mas não
são suficientes para atingir as metas de colesterol LDL consideradas seguras.
Por isso, o tratamento com medicamentos, como as estatinas e mais recentemente
medicações injetáveis (Inibidores da PCSK9), é considerado fundamental para
controlar o colesterol, proteger as artérias e prevenir eventos
cardiovasculares”, afirma o médico.
Riscos
do não tratamento
Ignorar a condição pode ter consequências graves. Como o
colesterol se acumula desde cedo, o risco de eventos cardiovasculares precoces
é alto. “O risco de sofrer um infarto antes dos 40 ou até 30 anos de idade é
muito alto. A obstrução das artérias que irrigam o cérebro também pode ocorrer
muito mais cedo”, alerta o especialista.
O tratamento precoce, contínuo e personalizado é a chave para
frear o avanço da doença e garantir qualidade de vida. “A única forma de saber
se o seu colesterol está alto é através de um exame de sangue simples. E quanto
antes for feito o diagnóstico, maiores as chances de prevenir complicações no
futuro”, finaliza.
Hospital Evangélico de Sorocaba
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