Geriatra do Mater Dei aponta dados preocupantes e reforça dicas de prevenção
Com a queda da temperatura, cresce o uso de aquecedores, cobertores
elétricos e fogueiras improvisadas. Dados
oficiais mostram que o problema é preocupante para a terceira
idade. Entre 2010 e 2019, a taxa de mortalidade por queimaduras em pacientes
com 60 anos ou mais atingiu 9%, mais que três vezes a observada na população
geral (2,87%). Nesse período, a permanência média dos idosos internados por
queimaduras no SUS foi de 8,5 dias, com ligeira redução ao longo da década.
Para os idosos, porém, essas práticas podem ter consequências graves.
“Os principais riscos são queimaduras, incêndios e intoxicação por monóxido de
carbono. Muitos não percebem um superaquecimento ou um curto-circuito a tempo”,
alerta o geriatra Tiago Ferolla, da Linha de Cuidado do Idoso do Hospital Mater
Dei Santa Genoveva.
A sensibilidade térmica declina com a idade, e reflexos mais lentos
dificultam a reação em situações de risco. “O idoso pode nem perceber o calor
excessivo do cobertor elétrico até sofrer uma queimadura de segundo grau, ou
ter dificuldade para sair de perto de uma fonte de chama, se a mobilidade
estiver comprometida”, explica Ferolla.
Dicas para familiares e cuidadores
Equipamentos certificados: prefira aquecedores e cobertores elétricos com selo INMETRO.
Distância segura: mantenha aparelhos longe de cortinas, móveis e objetos inflamáveis.
Uso consciente: nunca deixe o idoso dormir com cobertor elétrico ligado e desligue o
aquecedor ao sair do ambiente.
Evite brasas em locais fechados: fogueiras improvisadas devem ser feitas somente ao ar livre e com
supervisão.
Vestimenta adequada: complemente a quentura com roupas térmicas e mantas comuns, reduzindo
a necessidade de fontes de calor artificiais.
“A melhor prevenção é a combinação de equipamentos confiáveis,
supervisão constante e educação sobre os perigos”, conclui o geriatra. Com
atenção redobrada, é possível manter o conforto térmico sem expor os mais
velhos a riscos desnecessários.
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