quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Autonomia e inclusão: estratégias para promover qualidade de vida na deficiência intelectual e múltipla


Especialista explica como o acolhimento e o apoio familiar influenciam no desenvolvimento e na inclusão social de pessoas com deficiência intelectual e múltipla  

 

A deficiência intelectual e múltipla ainda é um desafio importante para o desenvolvimento inclusivo no Brasil. Segundo o Censo 2022, o país tinha 14,4 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência — o que representa 7,3% da população com 2 anos ou mais de idade. O levantamento, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), traz à tona uma questão essencial: o que são essas deficiências e de que forma podemos lidar com elas no dia a dia? 

 

Como identificar a deficiência 

A deficiência intelectual é caracterizada por limitações significativas tanto no funcionamento intelectual, como em raciocínio, resolução de problemas e aprendizagem, quanto no comportamento adaptativo, como habilidades sociais e práticas. Talita Rocha, professora do curso de Psicologia da Una Uberlândia, explica que “essas dificuldades revelam déficits em repertórios básicos de aprendizagem, que precisam ser trabalhados de forma sistemática e planejada, para favorecer a autonomia e promover maior independência na vida diária”.   

Já a deficiência múltipla ocorre quando duas ou mais condições estão associadas, como deficiência intelectual acompanhada de deficiência física, auditiva ou visual. Rocha destaca que esse quadro costuma trazer desafios adicionais, como maior dependência para atividades básicas, dificuldades de comunicação e obstáculos sociais e arquitetônicos que dificultam a inclusão. 

 

Ser um adulto autônomo é possível 

Na vida adulta, o impacto da inclusão ou da exclusão torna-se ainda mais evidente. Quando inseridas em contextos de apoio, pessoas com deficiência intelectual e múltipla podem desenvolver autonomia, estudar, trabalhar e construir relações sociais e afetivas. Já em ambientes de negligência, enfrentam isolamento e dependência excessiva.   

A psicóloga explica que “um dos equívocos mais comuns é acreditar que essas pessoas são incapazes de aprender ou de serem autônomas. Elas aprendem, mas em um ritmo diferente e com estratégias individualizadas. É fundamental estimular competências de independência funcional, como organizar a rotina, cuidar da higiene, utilizar meios de transporte e lidar com dinheiro. Essas habilidades ampliam a autonomia e contribuem para uma vida mais plena”.  

O apoio familiar também é indispensável para estimular a independência. Incentivar a participação em tarefas domésticas, promover interações sociais e evitar a superproteção são atitudes que fazem diferença. “Permitir que a pessoa tente, mesmo que errando, faz parte do processo de aprendizagem e contribui para o desenvolvimento da autoconfiança”, orienta. 

 

Como a sociedade pode e deve ajudar 

Escolas, empresas e sociedade também têm responsabilidade no processo de inclusão. Ambientes educacionais inclusivos, oportunidades de trabalho adaptadas e a eliminação de barreiras físicas e atitudinais são medidas fundamentais. “A inclusão é um direito, mas também um enriquecimento para a comunidade, que se torna mais diversa e justa”, destaca Rocha.  

No campo da psicologia, técnicas como treino de habilidades sociais, ensaio comportamental e reforçamento positivo contribuem para fortalecer a autoestima e reduzir a dependência. Segundo a professora, o impacto é visível: “Com suporte adequado, essas pessoas podem ter uma vida adulta plena, construir relações significativas e contribuir ativamente para a sociedade”.  

Exemplos já existentes demonstram esse potencial. Programas de desenvolvimento oferecidos por instituições como as APAEs, oficinas profissionalizantes adaptadas, emprego apoiado e atividades de lazer inclusivas, como esportes e artes, têm transformado a qualidade de vida de muitas pessoas. “Quando investimos em inclusão, vemos que essas pessoas não apenas se desenvolvem, mas também enriquecem a comunidade com suas experiências e habilidades”, conclui Rocha. 

 

Centro Universitário Una

 

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