Cigarro não compromete apenas o sistema respiratório, também atinge de forma silenciosa e grave o sistema vascular, aumentando o risco de amputações, tromboses e envelhecimento precoce das artérias
O médico Dr. Caio Focássio, cirurgião vascular e Membro da
Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, explica que um dos
problemas mais sérios é a doença arterial periférica (DAP), caracterizada pelo
estreitamento e obstrução das artérias das pernas. “O tabagismo é um dos
principais fatores de risco para a DAP. Quando não tratada, pode evoluir para
isquemia grave e levar à amputação. Estima-se que milhares de amputações
realizadas anualmente no Brasil estejam relacionadas, direta ou indiretamente,
ao fumo”, afirma.
Além da DAP, o cigarro aumenta a propensão à formação de coágulos,
elevando o risco de trombose venosa profunda e embolia pulmonar. O médico
alerta que, no caso de mulheres fumantes que usam pílula anticoncepcional, esse
perigo é potencializado. “Essa combinação pode multiplicar o risco de trombose
e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente em mulheres com menos de 40
anos”, reforça.
O tabaco também acelera a aterosclerose, um processo inflamatório que “enferruja”
os vasos sanguíneos, reduzindo a circulação e aumentando a chance de infarto e
derrame. Outro impacto pouco comentado é a má cicatrização. “O fumo reduz o
fluxo de sangue e oxigênio para os tecidos, dificultando a recuperação de
feridas e aumentando o risco de úlceras arteriais e venosas, um desafio
frequente no consultório do cirurgião vascular”, explica o especialista.
Nem mesmo quem não fuma está livre dos danos. O fumo passivo pode
causar alterações na função vascular, predispondo a doenças cardiovasculares e
vasculares periféricas. “A exposição contínua à fumaça do cigarro provoca
inflamação e prejuízos circulatórios mesmo em não fumantes”, alerta Dr. Caio.
Apesar dos riscos, a boa notícia é que os benefícios de parar de fumar são rápidos. “Em poucos dias sem cigarro, já é possível perceber melhora na circulação. Em semanas, o fluxo sanguíneo aumenta e a oxigenação dos tecidos melhora significativamente. É um impacto positivo que continua a crescer ao longo dos meses e anos”, finaliza.
FONTE: Dr. Caio Focássio - Cirurgião vascular formado pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Pós graduado em Cirurgia Endovascular pelo Hospiten – Tenrife (Espanha). Médico assistente da Cirurgia Vascular da Santa Casa de São Paulo.
www.drcaio.com.br
Instagram: @drcaiofocassiovascular
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