Especialista explica sintomas, formas de prevenção
e a importância das vacinas durante o tempo seco e frio 
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Com a queda das temperaturas e o aumento da secura no ar, cães e gatos ficam mais suscetíveis a desenvolver doenças respiratórias. Os riscos se intensificam com as mudanças bruscas de temperatura, baixa umidade, ambientes fechados e maior concentração de poeira — criando um cenário propício para infecções respiratórias em animais de estimação, especialmente durante o inverno.
Segundo
o professor Brener Amadeu, do curso de Medicina Veterinária da Una, é nessa
época do ano que as ocorrências aumentam, principalmente entre cães
braquicefálicos (de focinho curto), animais de vida livre e aves. “O clima frio
e seco resseca as vias respiratórias, favorece o acúmulo de poeira e reduz a
imunidade local. Isso compromete a defesa natural do organismo e facilita o aparecimento
de infecções”, explica.
Principais doenças e sinais de alerta
Entre as doenças mais comuns em cães estão a Tosse dos Canis (Traqueobronquite Infecciosa), a Gripe Canina (Influenza) e a Pneumonia. Já nos gatos, destacam-se a Rinotraqueíte Viral Felina, Calicivirose e também a Pneumonia.
Os tutores devem ficar atentos a sintomas como tosse, espirros, secreção nasal ou ocular, respiração ofegante, chiados ou roncos. “Muitos desses sinais são sutis no início, mas indicam que o sistema respiratório está comprometido e precisa de avaliação”, orienta o professor.
Além
dos check-ups de rotina, é fundamental buscar ajuda profissional diante de
sinais como tosse persistente, dificuldade para respirar, falta de apetite,
mudanças de comportamento ou secreções incomuns. “Quanto antes o diagnóstico
for feito, maiores as chances de recuperação sem complicações”, ressalta.
Proteção muito além da roupinha
Apesar de roupinhas serem aliadas no combate ao frio, é importante observar o tipo de tecido e o tempo de uso para evitar alergias ou superaquecimento. “O ideal é que o animal esteja agasalhado, mas também em um ambiente abrigado, com caminhas elevadas, mantas e piso seco. Evitar banhos frequentes e priorizar passeios em horários mais quentes do dia também fazem parte dos cuidados”, afirma Amadeu.
A
exposição ao sol, feita com responsabilidade, é recomendada. “É importante para
a síntese de vitamina D e melhora o bem-estar geral do animal. Mas precisa ser
em locais sem vento direto e por um tempo controlado, de 15 a 30 minutos ao
dia”, complementa.
A importância da prevenção
A vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenção. “Existem vacinas específicas para doenças respiratórias, e mantê-las em dia é fundamental, principalmente no inverno. A vermifugação também colabora, pois fortalece o sistema imunológico”, destaca Amadeu.
Ambientes
limpos, ventilados e com umidade controlada são ideais para pets com histórico
de doenças respiratórias ou alergias. Evitar produtos de limpeza fortes, aromatizantes
e tecidos que acumulam poeira é essencial. Umidificadores e até baldes com água
podem ser usados para melhorar a qualidade do ar em locais muito secos.
Zoonoses e raças mais sensíveis
Amadeu alerta que a transmissão entre animais e humanos é possível, ainda que rara. “Alguns vírus, como o da gripe e o SARS-CoV-2, já demonstraram potencial zoonótico ou antroponótico. A convivência exige atenção e higiene.”
Raças
como pug, shih-tzu, buldogue e pequinês merecem cuidados redobrados. “Esses
animais têm uma anatomia que dificulta a respiração, com narinas estreitas,
palato alongado e traqueia menor, o que os torna mais vulneráveis”, finaliza o
professor.

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