quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Rouquidão no Carnaval: Como Evitar Problemas Vocais Durante a Folia

Uso excessivo da voz, consumo de álcool e cigarro podem causar lesões nas pregas vocais durante a folia. Especialistas alertam sobre os riscos da rouquidão e dão dicas para manter a saúde vocal no Carnaval


Sexta-feira começa oficialmente o Carnaval e, com ele, dias de muita festa, música alta e animação. No entanto, o excesso no uso da voz durante a folia pode trazer consequências indesejadas, como a rouquidão. Conversar em ambientes barulhentos, cantar por longos períodos e até mesmo gritar podem causar inflamação nas pregas vocais, levando à laringite e, em casos mais graves, à formação de nódulos ou pólipos vocais.

Segundo a Dra. Roberta Pilla, otorrinolaringologista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), o abuso vocal é um dos principais fatores que levam à rouquidão nesta época do ano. "O uso inadequado da voz pode causar lesões fonotraumáticas, que são danos nas pregas vocais devido ao impacto repetitivo. Além disso, o consumo de álcool e cigarro piora ainda mais a saúde vocal", alerta a especialista.

A Dra. Maura Neves, otorrinolaringologista pela USP, reforça que a rouquidão durante o Carnaval está diretamente ligada à laringite por abuso vocal. "Gritar, falar alto ou por muito tempo pode inflamar as pregas vocais e até levar à perda temporária da voz. A desidratação, aliada ao consumo de bebidas alcoólicas e fumo, potencializa esses danos e pode até mesmo levar à necessidade de intervenção médica", explica.


Principais cuidados para evitar a rouquidão no Carnaval:

  • Hidratação é essencial: beba água regularmente para manter as pregas vocais bem lubrificadas.
  • Evite gritar ou falar alto: em ambientes muito barulhentos, prefira se comunicar por gestos ou aproxime-se para falar.
  • Modere no álcool e evite o cigarro: essas substâncias irritam a mucosa da garganta e agravam o refluxo, que também contribui para a rouquidão.
  • Alimentação equilibrada: evite alimentos muito condimentados, frituras e bebidas com cafeína, pois podem aumentar a inflamação e agravar o quadro.
  • Descanse a voz sempre que possível: se sentir qualquer alteração na voz, reduza o esforço vocal e evite cantar ou falar excessivamente.

Pastilhas e sprays ajudam a prevenir a rouquidão? Segundo as especialistas, o uso de pastilhas e sprays pode não ser eficaz e até prejudicar a saúde vocal. "Muitas dessas substâncias têm efeito anestésico e mascaram os sintomas, fazendo com que a pessoa continue forçando a voz sem perceber o dano que está causando", explica a Dra. Roberta Pilla.

Se a rouquidão persistir após a folia, o ideal é procurar um otorrinolaringologista para avaliação. "O Carnaval passa, mas sua voz é para a vida toda. Cuide dela com carinho!", conclui a Dra. Maura Neves.

 

Dra. Maura Neves – Otorrinolaringologista. Formação: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Graduado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Residência médica em Otorrinolaringologia no Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Fellowship em Cirurgia Endoscópica Nasal no Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Título de especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF. Doutorado pelo Departamento de Otorrinolaringologia do Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP


Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil. Laringologia e Voz. Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica. Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003). Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004). Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009). Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016). Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016). Membro do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF (2017-2022)


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