Advogada alerta que,
se uma pessoa perceber que a síndrome foi desencadeada no ambiente de trabalho,
é possível pleitear indenização no judiciário
A síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade
caracterizado, dentre outros sintomas, por crises de medo intensas, frequentemente
acompanhadas por sintomas físicos como palpitações, sudorese e falta de ar.
Cada vez mais pessoas estão procurando a Justiça para relatar que essas crises
são desencadeadas ou agravadas no ambiente de trabalho e por circunstâncias das
atividades laborais.
Segundo a advogada especialista em saúde mental,
Adriana Belintani, quando o trabalhador passa por uma crise fica impossível
produzir normalmente ou mesmo manter a concentração em qualquer tipo de
empresa.
“Se o trabalho é o causador, fica pior ainda,
porque o medo constante de ter outra crise, contribui diretamente para que a
pessoa não se sinta capacitada, a ponto de, muitas vezes, recorrer ao pleito de
benefícios previdenciários por incapacidade laboral”, explica Belintani.
De acordo com a especialista, a síndrome do pânico
pode ser considerada uma doença ocupacional quando há evidências de que o
ambiente de trabalho desempenhou um papel significativo em seu surgimento. Um
exemplo são os prontuários de profissionais da saúde.
“O trabalhador que procura um acompanhamento médico
psiquiátrico ou psicológico, narra para o profissional especialista as suas
condições emocionais naquele momento. Há toda uma escuta desse profissional
quanto a origem do comprometimento mental, que de acordo com os relatos
relacionados ao trabalho, podem estabelecer o nexo entre a doença e o meio
ambiente de trabalho”, explica.
Além disso, as jornadas excessivas, se esse for o
caso, podem ser comprovadas com documentos ou testemunhas.
De acordo com Belintani, o desencadeamento da
síndrome pode acontecer quando o trabalhador entende que está demasiadamente
cansado diante de jornadas exaustivas e excessivas ou se tem cobranças de metas
que não condizem com a realidade do trabalho ou são até inalcançáveis.
“Importante dizer que as metas são necessárias e
que o ser humano é movido por alcançar um objetivo, mas é importante respeitar
o trabalhador para evitar problemas com a comunicação e qualquer tipo de
assédio ou discriminação”, afirma a especialista.
Segundo ela, um meio ambiente de trabalho seguro,
física e mentalmente é essencial para se evitar adoecimentos mentais. “É
importante que o empregador sempre propicie um ambiente de trabalho saudável,
afinal é uma exigência legal, para que o trabalhador não tenha desenvolvimento
de doenças que comprometam seu bem estar físico e mental”, alerta.
Quando o caso chega à Justiça, o tribunal vai
analisar todas as provas levadas e a perícia que será realizada no processo,
além da escuta das testemunhas. “Quando é comprovado que o empregador não
cumpriu as normas de saúde e segurança no ambiente de trabalho, tanto físicas
quanto mentais, sua responsabilidade é reconhecida e ele pode ser condenado a
pagar indenizações.”, finaliza
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