Reunir a família em volta da mesa é uma tradição brasileira, sobretudo no final do ano, mas é bom sempre manter a moderação. Confira dicas de profissional da área de nutrologia para evitar excessos
Com a chegada das
festas de final de ano, as mesas fartas e repletas de delícias ganham
frequência como parte de uma tradição que integra a cultura brasileira.
Característicos dessa época, doces com alto teor de glicose, carnes gordurosas,
alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas podem até agradar o paladar,
porém possuem efeitos colaterais que afetam os indivíduos de diferentes formas,
a depender de fatores como a faixa etária.
Com o passar dos
anos, o metabolismo se torna mais lento, fazendo com que pessoas de mais idade
sofram com os efeitos da ingestão excessiva de comidas e bebidas, em especial
entre os meses de novembro e dezembro que, tradicionalmente, são repletos de
confraternizações em torno do Natal e do Ano Novo.
“Os resultados
invariáveis após as festas de final de ano são ganho de peso, elevação das
taxas de colesterol e de triglicerídeos, que é a gordura no sangue. Além disso,
é comum que vejamos nos consultórios pacientes que apresentam um aumento das
taxas de glicose, a deposição de gordura no fígado e o excesso de ácido úrico
no organismo, fatores que provocam, por sua vez, edemas, aumento da pressão
arterial, distúrbios circulatórios, inchaços, irritabilidade e prisão de
ventre”, elenca o médico Márcio Bontempo, da área de Nutrologia da rede
AmorSaúde.
Como destaca o
profissional, o equilíbrio na escolha dos alimentos é fundamental para garantir
uma ceia de Natal e de Ano Novo saudável e prazerosa. “Para curtir as festas de
modo equilibrado, é importante que os indivíduos lembrem de consumir frutas da
estação, saladas frescas multicores, sucos naturais e muita água de qualidade.
Vale também evitar o sedentarismo, praticar atividades físicas nos dias do
período e dormir bem, afinal a festa não é só do espírito, mas do nosso corpo
também”, pontua o médico da maior rede de clínicas populares do Brasil.
Neste contexto,
alguns alimentos merecem atenção especial devido aos seus potenciais impactos
na saúde.
Nozes
e castanhas
Tradicionais na
mesa natalina, as nozes e castanhas são ricas em gordura e algumas pessoas
podem ser alérgicas ao alimento. “Próprias para países frios e, portanto,
inadequadas para o clima tropical, as frutas oleaginosas devem ser comidas com
grande parcimônia, pois são prejudiciais em excesso”, alerta.
Opções ricas em
nutrientes e que oferecem uma textura crocante semelhante são as sementes de
abóbora, girassol, chia e linhaça, que podem ser adicionadas a pratos
principais, saladas e sobremesas. Uma dica de aperitivo crocante e saboroso são
os grãos torrados, como milho, lentilha e grão-de-bico.
Frituras
em excesso
Rabanada é um
clássico do Natal, assim como petiscos fritos, porém o consumo excessivo de
alimentos feitos em imersão em óleo pode contribuir para o aumento do
colesterol e problemas cardiovasculares, além de desencadear processos
inflamatórios, gerando retenção de líquido e inchaço, sobretudo em pessoas mais
velhas. Os alimentos fritos também podem desacelerar a digestão e levar a
problemas como indigestão e constipação.
Para reduzir a
ingestão de gorduras saturadas, opte por versões assadas, grelhadas ou
preparadas no vapor.
Embutidos
e defumados
Chamados de
alimentos ultraprocessados, salsichas, linguiças, presuntos e outros embutidos
são ricos em sódio e conservantes. O consumo exagerado desses alimentos pode
estar relacionado a problemas de pressão arterial e saúde cardiovascular. O Dr.
Marcelo Bontempo indica que o indivíduo dê preferência a opções mais magras e
com menor teor de sódio.
Carnes
gordurosas
Leitão, carneiro,
peru e chester são alguns dos pratos principais nas festas natalinas e de
celebração do ano novo. Sem contar que, para realçar o sabor, muitas vezes
essas carnes são acompanhadas por molhos carregados de calorias, gorduras e
sódio. “Além das gorduras saturadas, a carne industrializada desses animais
contém hormônios anabolizantes, antibióticos e outros componentes
prejudiciais”, adverte o Dr. Márcio Bontempo.
A dica é comer
pouca quantidade e associar sempre com uma fruta, a exemplo do abacaxi ou da laranja.
Outro conselho dado pelo médico é a substituição desses itens por algo
saudável, como bacalhoada com ovos, brócolis e batatas, caso seja possível.
Doces
e refrigerantes
Alimentos com
excesso de açúcar, como o tradicional panetone e sua versão de chocolate, além
dos refrigerantes, favorecem o diabetes, a osteoporose e a obesidade, e devem
ser evitados o ano todo.
A dica é investir
nas frutas, sobretudo nas da época, como abacaxi, figo, melancia, pêssego,
manga e melão, sendo a salada de frutas uma ótima opção para a sobremesa.
“Os refrigerantes
podem ser substituídos por sucos de frutas gaseificados e adoçados com mel,
mascavo ou açúcar de coco. As crianças não notarão a diferença”, ensina o
médico, que indica também o consumo de chás digestivos, como louro, que reduz a
carga gordurosa das comidas; erva doce, que é digestivo e reduz os gases
intestinais; e chá verde, que protege os vasos e reduz colesterol.
Bebidas
alcoólicas em excesso
O brinde é uma
tradição, mas o consumo excessivo de álcool pode causar diversos problemas de
saúde, incluindo danos ao fígado e aumento de calorias vazias, além da ressaca.
Em pessoas mais
velhas, o álcool é processado mais lentamente, levando a uma maior permanência
no organismo, o que aumenta o risco de intoxicação. Além dos efeitos poderem
ser sentidos mais rapidamente com uma menor quantidade em comparação com
pessoas mais jovens. “O álcool pode afetar o equilíbrio e a coordenação motora,
aumentando o risco de quedas, o que é especialmente preocupante em pessoas mais
velhas, que podem já ter uma maior propensão a lesões”, enfatiza o nutrólogo.
É preciso também
tomar cuidado com interações medicamentosas, já que o álcool pode interagir de
maneira negativa com alguns medicamentos, aumentando os riscos de efeitos
colaterais indesejados ou reduzindo a eficácia dos medicamentos.
A dica é beber com moderação,
intercalando com água para manter-se hidratado, e conversar com um médico para
obter orientações específicas com base na saúde e situação pessoal. “Pode-se
perfeitamente comemorar de modo mais saudável as festas de final de ano,
evitando os excessos, consumindo tudo com parcimônia e equilíbrio, escolhendo
bem aquilo que colocaremos dentro do nosso corpo”, ensina o médico do
AmorSaúde.

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