terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Boas festas para todas as idades significa equilíbrio na cei

Reunir a família em volta da mesa é uma tradição brasileira, sobretudo no final do ano, mas é bom sempre manter a moderação. Confira dicas de profissional da área de nutrologia para evitar excessos

 

Com a chegada das festas de final de ano, as mesas fartas e repletas de delícias ganham frequência como parte de uma tradição que integra a cultura brasileira. Característicos dessa época, doces com alto teor de glicose, carnes gordurosas, alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas podem até agradar o paladar, porém possuem efeitos colaterais que afetam os indivíduos de diferentes formas, a depender de fatores como a faixa etária.

 

Com o passar dos anos, o metabolismo se torna mais lento, fazendo com que pessoas de mais idade sofram com os efeitos da ingestão excessiva de comidas e bebidas, em especial entre os meses de novembro e dezembro que, tradicionalmente, são repletos de confraternizações em torno do Natal e do Ano Novo.

 

“Os resultados invariáveis após as festas de final de ano são ganho de peso, elevação das taxas de colesterol e de triglicerídeos, que é a gordura no sangue. Além disso, é comum que vejamos nos consultórios pacientes que apresentam um aumento das taxas de glicose, a deposição de gordura no fígado e o excesso de ácido úrico no organismo, fatores que provocam, por sua vez, edemas, aumento da pressão arterial, distúrbios circulatórios, inchaços, irritabilidade e prisão de ventre”, elenca o médico Márcio Bontempo, da área de Nutrologia da rede AmorSaúde.

 

Como destaca o profissional, o equilíbrio na escolha dos alimentos é fundamental para garantir uma ceia de Natal e de Ano Novo saudável e prazerosa. “Para curtir as festas de modo equilibrado, é importante que os indivíduos lembrem de consumir frutas da estação, saladas frescas multicores, sucos naturais e muita água de qualidade. Vale também evitar o sedentarismo, praticar atividades físicas nos dias do período e dormir bem, afinal a festa não é só do espírito, mas do nosso corpo também”, pontua o médico da maior rede de clínicas populares do Brasil.

 

Neste contexto, alguns alimentos merecem atenção especial devido aos seus potenciais impactos na saúde.

 

Nozes e castanhas

Tradicionais na mesa natalina, as nozes e castanhas são ricas em gordura e algumas pessoas podem ser alérgicas ao alimento. “Próprias para países frios e, portanto, inadequadas para o clima tropical, as frutas oleaginosas devem ser comidas com grande parcimônia, pois são prejudiciais em excesso”, alerta.

 

Opções ricas em nutrientes e que oferecem uma textura crocante semelhante são as sementes de abóbora, girassol, chia e linhaça, que podem ser adicionadas a pratos principais, saladas e sobremesas. Uma dica de aperitivo crocante e saboroso são os grãos torrados, como milho, lentilha e grão-de-bico.

 

Frituras em excesso

 

Rabanada é um clássico do Natal, assim como petiscos fritos, porém o consumo excessivo de alimentos feitos em imersão em óleo pode contribuir para o aumento do colesterol e problemas cardiovasculares, além de desencadear processos inflamatórios, gerando retenção de líquido e inchaço, sobretudo em pessoas mais velhas. Os alimentos fritos também podem desacelerar a digestão e levar a problemas como indigestão e constipação.

 

Para reduzir a ingestão de gorduras saturadas, opte por versões assadas, grelhadas ou preparadas no vapor.

 

Embutidos e defumados

 

Chamados de alimentos ultraprocessados, salsichas, linguiças, presuntos e outros embutidos são ricos em sódio e conservantes. O consumo exagerado desses alimentos pode estar relacionado a problemas de pressão arterial e saúde cardiovascular. O Dr. Marcelo Bontempo indica que o indivíduo dê preferência a opções mais magras e com menor teor de sódio.

 

Carnes gordurosas

 

Leitão, carneiro, peru e chester são alguns dos pratos principais nas festas natalinas e de celebração do ano novo. Sem contar que, para realçar o sabor, muitas vezes essas carnes são acompanhadas por molhos carregados de calorias, gorduras e sódio. “Além das gorduras saturadas, a carne industrializada desses animais contém hormônios anabolizantes, antibióticos e outros componentes prejudiciais”, adverte o Dr. Márcio Bontempo.

 

A dica é comer pouca quantidade e associar sempre com uma fruta, a exemplo do abacaxi ou da laranja. Outro conselho dado pelo médico é a substituição desses itens por algo saudável, como bacalhoada com ovos, brócolis e batatas, caso seja possível.

 

Doces e refrigerantes

 

Alimentos com excesso de açúcar, como o tradicional panetone e sua versão de chocolate, além dos refrigerantes, favorecem o diabetes, a osteoporose e a obesidade, e devem ser evitados o ano todo.

 

A dica é investir nas frutas, sobretudo nas da época, como abacaxi, figo, melancia, pêssego, manga e melão, sendo a salada de frutas uma ótima opção para a sobremesa.

 

“Os refrigerantes podem ser substituídos por sucos de frutas gaseificados e adoçados com mel, mascavo ou açúcar de coco. As crianças não notarão a diferença”, ensina o médico, que indica também o consumo de chás digestivos, como louro, que reduz a carga gordurosa das comidas; erva doce, que é digestivo e reduz os gases intestinais; e chá verde, que protege os vasos e reduz colesterol.

 

Bebidas alcoólicas em excesso

 

O brinde é uma tradição, mas o consumo excessivo de álcool pode causar diversos problemas de saúde, incluindo danos ao fígado e aumento de calorias vazias, além da ressaca.

 

Em pessoas mais velhas, o álcool é processado mais lentamente, levando a uma maior permanência no organismo, o que aumenta o risco de intoxicação. Além dos efeitos poderem ser sentidos mais rapidamente com uma menor quantidade em comparação com pessoas mais jovens. “O álcool pode afetar o equilíbrio e a coordenação motora, aumentando o risco de quedas, o que é especialmente preocupante em pessoas mais velhas, que podem já ter uma maior propensão a lesões”, enfatiza o nutrólogo.

 

É preciso também tomar cuidado com interações medicamentosas, já que o álcool pode interagir de maneira negativa com alguns medicamentos, aumentando os riscos de efeitos colaterais indesejados ou reduzindo a eficácia dos medicamentos.

 

A dica é beber com moderação, intercalando com água para manter-se hidratado, e conversar com um médico para obter orientações específicas com base na saúde e situação pessoal. “Pode-se perfeitamente comemorar de modo mais saudável as festas de final de ano, evitando os excessos, consumindo tudo com parcimônia e equilíbrio, escolhendo bem aquilo que colocaremos dentro do nosso corpo”, ensina o médico do AmorSaúde.



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