terça-feira, 24 de outubro de 2023

Conscientização sobre o câncer de mama ganha força, mas ainda não impacta pessoas pretas, pardas e trans

Apesar de representarem quase 55% da população, esses grupos ainda são tratados às margens dos programas de prevenção e têm muito menos acesso à saúde no Brasil

 

O Outubro Rosa é um movimento internacional de conscientização para a detecção precoce do câncer de mama e, apesar das crescentes campanhas de conscientização, estima-se que em 2023, cerca de 73.610 pessoas terão a doença no Brasil, sendo que dessas, 16.300 (13%), podem vir a óbito. Se fizermos um recorte para a população preta, parda e pessoas trans, esses números são ainda mais alarmantes. 

 

O país tem cerca de 1,9% da população adulta brasileira, ou aproximadamente 4 milhões de pessoas transgêneros e não binárias, segundo levantamento feito pela Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB/Unesp). Já os pretos  representam 10,6% e os pardos 45,3%, de acordo com dados do IBGE, ou seja, mais de 115 milhões de pessoas. Entretanto, apesar de serem maioria, esses grupos ainda são tratados às margens dos programas de prevenção e têm muito menos acesso à saúde no Brasil. 


De acordo com uma análise exclusiva do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (CEDRA), em 2019, cerca de 36,3% das mulheres negras acima de 18 anos não haviam realizado exame clínico de mama. Para as mulheres brancas essa taxa cai para 21,4%. Já em relação à mamografia, entre as mulheres negras que tinham de 50 a 69 anos, no mesmo período, 27,7% não fizeram o exame, enquanto as mulheres brancas, 20,5%, ou seja, cerca de 35% mais mulheres negras que brancas não realizaram nenhuma mamografia ao longo da vida.

 

Se olharmos para as pessoas trans, o cenário é ainda pior, pois muito se fala em prevenção do câncer de mama para mulheres cis, principalmente acima dos 40 anos, porém, o público trans ainda não se vê incluído quando se trata de medicina preventiva, seja em campanhas de concientização ou até em pautas abordadas pela mídia, que buscam levar conhecimento à população. 

 

Um estudo de 2019 do University Medical Center, em Amsterdã, com 2.260 mulheres trans e 1.229 homens trans, apontou 15 casos de câncer de mama em mulheres trans após uma média de 18 anos de tratamento hormonal, e demonstrou um risco maior que a população masculina. Na população de homens trans, foram detectados quatro casos, média menor que o esperado para mulheres cisgênero. 

 

Segundo a Dra. Vivian Milani, médica radiologista, especialista em saúde da mulher no CURA grupo, o uso de hormônios a fim de induzir mudanças físicas, como o aumento das mamas, podem gerar um aumento do risco de câncer na região. “As mulheres trans devem fazer o mesmo rastreamento que as mulheres cis, ou seja, mamografia anual e exame físico a partir dos 40 anos. Já homens trans que passam pela mastectomia (retirada das mamas) não anulam por completo o risco de câncer, embora ele seja reduzido. Assim, as consultas e exames periódicos seguem sendo imprescindíveis para ambos. 

 

Como mudar esse cenário?

 

Na última década, observou-se uma melhora expressiva na disponibilidade e na qualidade das informações sobre incidência e mortalidade por câncer de mama, mas pouco dessas informações chegam aos grupos minoritários. E essa não é a única questão que afasta pessoas pretas, pardas e trans do atendimento médico e da prevenção, o preconceito também tem seu papel.

 

“Acredito que, cada vez mais, seja necessário trabalhar um Outubro Rosa para pessoa com mamas e não apenas para mulheres cis. Esse é o primeiro passo para alcançarmos mais pessoas e democratizarmos o acesso à saúde. Além do mais, nunca se falou tanto em atendimento humanizado e esse é um ponto primordial no atendimento com esse público. As pessoas precisam sentir-se acolhidas para que o exame se torne parte das suas rotinas. E é isso que fazemos aqui no CURA grupo”, enfatiza Dra. Vivian. 

 

O diagnóstico precoce é o melhor caminho contra o câncer de mama, já que há poucas medidas que possam ser tomadas para prevenção, fora os exames e uma vida mais saudável. Assim, dar mais atenção à saúde e manter os exames de rotina sempre em dia, ainda é o melhor remédio para uma vida saudável.

 



Sobre o CURA grupo
O CURA Medicina Diagnóstica foi adquirido em 2018 pela Vinci Partners, um dos principais fundos de Private Equity do Brasil, como uma plataforma de consolidação no segmento. Em 2019, o CURA se uniu ao Grupo Mérya, maior grupo de diagnóstico por imagem da região Sul do Brasil. Assim nasceu o CURA grupo, um dos maiores grupos de medicina diagnóstica do Brasil, com mais de 1,6 mil colaboradores capacitados e 500 médicos qualificados. Todo o grupo hoje funciona sob os mesmos princípios e de forma homogênea em sua operação. O trabalho concentra-se totalmente na medicina diagnóstica com olhar humano, além da excelência do atendimento, e na qualidade máxima na realização de exames de diagnóstico por imagem, medicina nuclear e análises clínicas. Atualmente está disponível em quatro estados brasileiros, com um total de 30 operações em todo o país, nas cidades de Florianópolis, São José e Chapecó, em Santa Catarina; Curitiba, São José dos Pinhais, Londrina e Pato Branco, no Paraná; Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; e em São Paulo Capital, com mais de 6 milhões de exames realizados anualmente.



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