Especialista do CEJAM destaca fatores que influenciam o quadro, além de dar dicas para reconhecer rapidamente os sintomas
Imagine precisar lutar com alguém que você nem
sequer consegue enxergar ou identificar a sua chegada. Parece difícil, não é
mesmo? Mas é exatamente dessa forma que muitas pessoas vivenciam um Acidente
Vascular Cerebral (AVC), que recebeu até uma data (29/10) para alertar a
população sobre a gravidade do problema.
Essa desordem vascular faz com que os vasos que transportam sangue para o
cérebro sejam obstruídos ou se rompam por algum motivo. E, como consequência, a
falta da circulação sanguínea na região faz com que a vítima sofra sérios danos
em suas células cerebrais, de maneira súbita.
“Existem dois tipos de AVC. O isquêmico é o mais comum e representa 85% dos
casos. Ele ocorre quando há obstrução do vaso, impedindo o fluxo sanguíneo e,
consequentemente, a chegada de oxigênio ao tecido cerebral. Essa obstrução,
geralmente, pode ser causada por trombos que se formam na superfície do vaso,
ou por êmbolos, que se soltam de outros locais do corpo e se instalam nos
vasos, impedindo a passagem do sangue”, explica a Dra. Pilar Tavares,
neurologista no Centro Especializado em Reabilitação (CER) IV M’Boi Mirim,
gerenciado pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em
parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.
Já o AVC hemorrágico, segundo a médica, ocorre quando o vaso se rompe, causando
sangramento, que pode acontecer tanto dentro do tecido cerebral como na
superfície do cérebro.
Desde 2013, as internações pelo quadro cresceram quase 40% no Brasil, de acordo
com o Ministério da Saúde. Hoje, a doença ocupa o posto de uma das principais
causas de morte no país e no mundo.
“Esse aumento no número de casos está diretamente relacionado aos maus hábitos
de vida da população, que interferem diretamente no bom funcionamento do
sistema circulatório. Fatores como alimentação inadequada, sedentarismo,
tabagismo, uso de álcool e outras drogas, problemas no sono e alta taxa de
estresse afetam a saúde das pessoas e podem resultar em AVC”, afirma a
especialista.
Além desses fatores, existem também doenças e comorbidades que podem
potencializar o aparecimento em algumas pessoas. O aumento da pressão
sanguínea, colesterol, obesidade, diabetes e doenças cardíacas são algumas
delas e precisam de atenção. Já condições como idade, sexo, raça e genética
podem intensificar ainda mais o seu surgimento.
“Sem contar infecções, defeitos de coagulação sanguínea e alguns traumas, que
também são causas comuns para AVCs, principalmente na população jovem”, reforça
a Dra. Pilar.
Estudo realizado pela Organização Mundial do AVC, publicado recentemente no
periódico científico Lancet Neurology, estima um aumento de
50% no número de mortes por Acidente Vascular Cerebral no mundo, chegando a
quase 10 milhões até 2050, caso ações de monitoramento e prevenção não sejam
aprimoradas.
"Pensando na necessidade urgente de identificação e tratamento, o CEJAM
vem investindo cada vez mais na capacitação profissional multidisciplinar, para
conduzir casos clínicos dessa magnitude. Nós contamos com padronização nos
atendimentos e fluxos e protocolos ágeis bem definidos, além de estarmos
ampliando os serviços de hemodinâmica para aprimorar a assistência e reduzir a
demanda. Também fazemos o uso da telemedicina para auxiliar na identificação
rápida de sintomas e orientar o paciente. E ainda, constantemente, promovemos a
divulgação de programas educativos que visam incentivar hábitos saudáveis
preventivos”, destaca a médica.
Para prevenir o quadro, de forma geral, a neurologista enfatiza a necessidade
de praticar exercícios físicos, evitar o ganho excessivo de peso, manter uma
alimentação saudável e o sono equilibrado e evitar o uso de álcool e cigarro.
Reconheça um AVC
Na maioria dos casos, o Acidente Vascular Cerebral se manifesta
repentinamente, com sintomas que podem surgir em poucas horas ou até minutos
antes. Por isso, reconhecer os sinais é extremamente importante para buscar
assistência médica o mais rápido possível.
Confira abaixo alguns deles e atente-se:
- Formigamento
e Fraqueza:
Sendo os sintomas mais populares, o AVC pode começar com uma sensação de
formigamento que, gradualmente, pode se transformar em fraqueza. Essa
fraqueza, por sua vez, costuma afetar um lado do corpo, podendo acometer a
face e outros membros;
- Alteração
da Visão: A
visão também pode ser comprometida e a pessoa pode perceber alterações na
sua capacidade de enxergar. Isso pode variar de visão embaçada à perda
parcial ou completa da visão em um ou ambos os olhos;
- Tontura
e Perda de Equilíbrio: Outro sintoma comum é a tontura súbita, que,
consequentemente, pode levar à perda de equilíbrio. Com isso, a pessoa
pode ter dificuldade para se manter de pé;
- Confusão
Mental: O
AVC pode, ainda, provocar confusão mental, fazendo com que a pessoa tenha
dificuldade em pensar com clareza e compreender o que está acontecendo à
sua volta;
- Alteração
na Fala: A
pessoa pode apresentar dificuldades em falar claramente, formando palavras
de maneira arrastada;
- Dor
de Cabeça Intensa: Em alguns casos, a pessoa também pode
experimentar uma dor de cabeça intensa e súbita, sem causa aparente.
É importante salientar que os sintomas podem variar
de acordo com o perfil de cada um. No entanto, reconhecer os sintomas gerais,
seja em si mesmo ou em outra pessoa, e procurar ajuda podem fazer toda a
diferença.
@cejamoficial
cejam.org.br/noticias
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