quarta-feira, 12 de outubro de 2022

No Dia das Crianças, como está a saúde mental das pessoas que lidam com elas?

Sejam pais, avós, professores, cuidadores, quem lida com o público infantil precisa estar atento às próprias questões mentais

 

 

No mês das crianças, mais que comemorar as alegrias da infância, é importante discutir o que fazer para que este período da vida seja o melhor de todos, sem estresse, ansiedade, depressão e, o mais grave, suicídio, o que infelizmente tem sido crescente entre o público mais jovem. Entre 1996 e 2021, foram contabilizados 3.285 casos de suicídio infantil (5 a 14 anos de idade) no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta aumento de 4,5% para 8%, em uma década, nos casos de depressão em crianças entre seis e 12 anos.  

Agressividade, cansaço excessivo, queixas de dores, pessimismo, dificuldade de concentração ou memória e falta de apetite estão entre os sinais que demandam maior atenção dos pais, responsáveis e educadores. Estes, portanto, precisam, em primeiro lugar, estar cientes de que crianças também podem ter sua saúde mental afetada; e, em segundo, mas não menos importante, devem estar em dia com a própria saúde mental.  

“É aquela máxima do estar bem primeiro para depois cuidar do outro. Pais e educadores, que estão bem perto das crianças, são responsáveis por construir ambientes saudáveis para a convivência dos pequenos, mas só conseguirão fazer isso se primeiro estiverem tendo atenção voltada para a própria saúde mental”, diz Lorena Soares, psicóloga e COO da Amar.elo Saúde Mental, que trabalha em prol do equilíbrio emocional nas empresas.  

A boa notícia, segundo ela, é que aos poucos este cuidado tem sido mais presente. Uma pesquisa realizada pela Microsoft diz que 53% dos profissionais no mundo consideram a saúde e o bem-estar prioridades, acima do trabalho. “Com a pandemia, as pessoas refletiram mais sobre o que é de fato importante em suas vidas, e por isso estão se colocando mais na agenda, cuidando mais de si mesmas. É um começo, mas um bom começo, e essa decisão vai impactar no relacionamento com as outras pessoas, incluindo as crianças”, afirma.  

Lorena afirma que um ambiente equilibrado emocionalmente, seja o de casa ou escolar, será favorável para que as crianças se desenvolvam bem, mais protegidas contra ansiedade, depressão e outros transtornos. “Vivemos em um ritmo acelerado e isso se reflete em todos os âmbitos, seja profissional ou familiar. Mesmo com a rotina do dia a dia dos adultos, é preciso dedicar um tempo de qualidade para realizar atividades com essas crianças e jovens. É importante lembrar que eles também foram impactados pelas mudanças e transtornos causados pela pandemia, tirando-os da rotina comum. Dar a atenção e o afeto necessário faz toda a diferença na formação de caráter e saúde integral desses indivíduos”, define.  

Para Lorena, fatores como exposição excessiva à telas, pouco convívio social e afetivo, as próprias alterações de fase, mudanças bruscas na dinâmica familiar ou escolares (baixo rendimento) podem impactar na saúde mental de crianças. “É preciso deixar a criança ser criança e o jovem ser jovem. Permitir que eles tenham seus momentos de brincadeiras, incentivá-los à prática esportiva e ao convívio com outras pessoas da mesma idade, e dentro de casa, com a família, é necessário existir a comunicação, falando, inclusive, sobre saúde mental, que não deve ser um tabu. Os adultos precisam aprender a ouvir e validar os sentimentos desses jovens e adolescentes, estabelecendo assim um ciclo de confiança de todas as partes”, acrescenta. 

No âmbito escolar, as cobranças de cada etapa fazem parte, inclusive, da preparação do indivíduo para lidar com o “mundo lá fora”. “Cabe, então, ao educador, preparar o terreno emocional das crianças para que elas saibam lidar bem tanto com o sucesso quanto com o fracasso, sabendo que ambos são comuns, embora sempre se busque minimizar os erros”, diz Lorena.  

“Neste Dia das Crianças, portanto, mais que presentes, pais, familiares, educadores têm a missão de proporcionar ambientes saudáveis emocionalmente, estando bem em primeiro lugar, apropriando-se do tema da saúde mental infantil, e trabalhando para reconhecer, quando necessário, sinais que pedem uma medida preventiva ou tratamento”, finaliza. 

 

Amar.elo Saúde Mental

www.amarelosaudemental.com.br


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