Efeitos adversos de medicamentos continuam sendo monitorados mesmo após o início de sua comercialização e venda. Essa é a função da farmacovigilância, definida pela Organização Mundial da Saúde como "a ciência e atividades relativas à identificação, avaliação, compreensão e prevenção de efeitos adversos ou quaisquer problemas relacionados ao uso de medicamentos”. O monitoramento, feito pela indústria farmacêutica e regulado pela Anvisa, e tem dois objetivos: garantir a eficácia dos medicamentos e a maior segurança do paciente.
A análise do risco-benefício é o princípio básico da vigilância farmacológica,
estabelecida desde a fase 1 da pesquisa clínica de um novo fármaco ou
imunizante, e que se mantém ao longo de todo o ciclo de vida de um produto.
Quando ele recebe o sinal verde e vai para o mercado significa que o seu
benefício é maior do que o risco que possa impor à saúde da população. Foi
assim com as vacinas contra a Covid-19, que foram testadas e produzidas em
tempo recorde para interromper o contágio da doença e evitar as mortes.
Ao ganhar o mercado, um medicamento acaba sendo utilizado por um número muito
maior de pessoas em relação aos estudos clínicos, e é possível que surjam
efeitos adversos até então não observados. A identificação precoce de problemas
relacionados a um medicamento é fundamental para torná-lo mais seguro, seja
para promover a atualização da bula, acrescentar uma advertência, ajustar a sua
prescrição ou até mesmo retira-lo do mercado.
Pacientes e profissionais de saúde, como farmacêuticos, enfermeiros e médicos,
precisam relatar aos fabricantes e à vigilância sanitária os efeitos
inesperados, tanto os bons como os ruins. Todos os relatos encaminhados são
analisados por uma equipe especializada e se tornam fundamentais para se
aprender mais sobre o fármaco, seus riscos e possibilidades.
O Brasil vem avançando no monitoramento dos eventos adversos e estimulando a
cultura de segurança do produto. Tanto que integra, desde 2016, o Conselho
Internacional para Harmonização de Requerimentos Técnicos de Produtos
Farmacêuticos para Uso em Humanos (International Council for Harmonisation of
Technical Requirements for Pharmaceuticals for Human Use - ICH). O
fórum reúne autoridades reguladoras e associações de indústrias farmacêuticas
de vários países para discussão de aspectos técnicos e científicos relacionados
ao registro de medicamentos.
O processo de desenvolvimento de um medicamento, assim como a sua fabricação,
envolve tecnologia especializada e exige o cumprimento de uma série de normas e
regulamentações. Mas para que esse acompanhamento seja efetivo, a
responsabilidade deve ser compartilhada, ou seja, pacientes e médicos precisam
ser parte ativa do processo de farmacovigilância. Somente com o
compromentimento de todos é possível avaliar se a tecnologia está cumprindo o
seu papel e o medicamento cumpre o que foi especificado no momento do seu
lançamento no mercado.
Yvi Gea - Diretora adjunta de Assuntos Médicos e
Farmacovigilância da Farmacêutica Zambon. Graduada em Medicina com residência
médica em Pediatria, Neonatologia e Terapia Intensiva Pediátrica, a médica
possui ainda MBA em Economia e Gestão da Saúde pela Universidade Federal de São
Paulo (Unifesp) e pós-graduação em Business Strategy pela McKinsey Academy.
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