Ao contrário do ditado que diz “política não se discute”, aprendemos e continuamos a aprender a importância de estarmos inseridos nela. Para começar a discorrer sobre este tabu, nada melhor do que um pouco de contextualização etimológica. O termo política tem origem no grego politiká, uma derivação de polis, que designa aquilo que é público.
Discutir política é um dos principais assuntos do brasileiro, faz parte do seu dia a dia. Descobrimos, inclusive, que essa discussão é positiva e aperfeiçoa a democracia.Geralmente o debate político em uma organização é desmotivado. A justificativa é novamente o ditado: “política não se discute, aqui não é lugar pra falar sobre isso”.
Por isso, o intuito deste artigo não é defender que o local de trabalho se transforme em uma casa política ou em um palanque, mas por tratar-se muitas vezes de um assunto inevitável e recorrente no dia a dia, o objetivo aqui é recomendar práticas para que este tema possa fluir dentro da empresa de maneira apropriada.
Aqui vão 10 sugestões de como agir com bom senso:
1- Saiba o momento certo de falar. No cafezinho ou na mesa de lado, é normal comentar sobre assuntos do dia a dia, entre eles algum tema referente à política. Até aí tudo bem. Mas procure não transformar qualquer interação sua com os outros colegas em uma discussão política.
2- Recomenda-se que este tema seja evitado justamente porque ele é muito sensível. Não são todas as ocasiões, dentro do ambiente corporativo, em que discutir política é algo positivo.
Pense: será que aqui é o lugar certo para expor minha opinião? Tem alguém que pensa diferente de mim que pode se sentir ofendido se eu falar isto com estas palavras?’
Não transforme sua presença profissional em um comício. Cuidado ao usar seu posicionamento político no momento de se aproximar das pessoas.
3- Escolha conversar sobre isso com aquelas que você sabe que tem liberdade ou em algum momento em que percebe que o assunto está fluindo construtivamente.
Se isso não for feito com um mínimo de cuidado e empatia, você estará comprometendo relações. Antes de mais nada, lembre-se: ninguém necessariamente precisa saber da sua opinião sobre as coisas.
4- Discutir política não é uma competição. Ninguém precisa ganhar. É, antes de tudo, uma troca. Se você não tem mais nada a acrescentar diante de um assunto, não tenha medo ou vergonha de esperar pacientemente o outro explanar a opinião dele até o fim e depois disso se retirar e agradecer a conversa.
5- Falar por último não significa ter as melhores ideias, assim como usar senso comum e ironia não são as melhores formas de terminar uma discussão política. Afinal, se a ironia é o que resta no fim de uma conversa proposta a ser produtiva, não houve empatia.
6- Elevar a voz e tentar monopolizar a conversa, não dando espaço para o outro falar, também são posturas negativas, além de não levá-lo a lugar nenhum e não fazer você ser visto como mais inteligente ou articulado, por exemplo.
7- E por mais que as evidências mostrem que você está com a razão diante de um assunto, não cobre do outro que admita isso, incomoda e parece pedante. Respeitar o espaço do outro, acima de tudo.
8 – E se meu chefe me perguntar em quem eu voto? Situação delicada essa e você terá que ter jogo de cintura para não ser o “isentão” e nem o militante. Lembre-se que na empresa não é lugar de campanha eleitoral. Se você tem liberdade com seu chefe, pode dizer seu voto (se estiver confortável com isso). Caso não tenha liberdade ou já saiba que seu chefe vota no partido oposto, talvez uma saída estratégica seja dizer algo como “Esse assunto é bem polêmico e prefiro não comentar meu posicionamento político aqui na empresa, vamos falar de outro assunto?”.
9 – Se você for o chefe, jamais aborde essa pergunta com seu funcionário sobre em quem a pessoa irá votar. O voto é secreto e seu colaborador tem o direito de escolher qualquer candidato. Temos que respeitar o direito do outro. É livre manifestar seu voto, mas não exigir que outras pessoas compartilhem da mesma conduta, como com uma pesquisa de intenção de voto.
O empresário, como todo mundo, tem direito a essa liberdade de expressão, mas não pode utilizar seu poder econômico para forçar os demais a seguir o seu ponto. Especialmente pelo trabalhador ser o mais fraco nessa relação.
10- O que fazer no dia seguinte da eleição? Se seu candidato foi o escolhido ou não para assumir o cargo político em questão, sua conduta dentro da empresa deverá ser a mesma, jamais deve ter comportamento de torcida de futebol na copa do mundo. No entanto, sabemos que o assunto irá surgir nos corredores e se, porventura, for questionado sobre seu voto ou resultado da eleição, diga algo como: “Não concordo com o resultado, masme comprometo a continuar trabalhando para um país melhor”, afinal de contas, eleições não deveriam ser confundidas com competição e não se trata de ganhar ou perder. Nada adianta torcer contra sobre governo escolhido pela maioria. Isso é democracia, não é mesmo?
Falar de política deveria ser sinônimo de construir um conhecimento mútuo sobre um assunto, através de fatos e raciocínios plausíveis. Você tem se posicionado dessa forma quando discute política com seus colegas de trabalho?
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Daniela do Lago ministra aulas nos cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas há 15 anos para as disciplinas de Gestão de Pessoas, Comportamento Organizacional, Comunicação e Relacionamento Interpessoal. É mestre em Administração com foco em Comportamento Organizacional pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul e possui MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. É Bacharel em Administração pela Fundação Santo André. Já escreveu 4 livros, é colunista fixa da Revista Gestão & Negócios, ministra palestras, além de pesquisadora dos temas e dos conteúdos ligados à sua atuação. Tem formação Internacional em Coaching e especialização para Liderança pelo ICI (Integrated Coaching Institute), em curso credenciado pelo ICF (International Coach Federation). Ganhou o prêmio de melhor professora dos cursos de MBA, da Fundação Getúlio Vargas nos anos de 2016, 2018 e 2019. Foi vencedora do prêmio "Líder Empreendedor 2010" fornecido pelo Congresso de Recursos Humanos FONATE. Conheça também, da mesma autora, os livros:
Despertar Profissional; UP – 50 dicas para decolar na sua carreira; FEEDBACK - Receita Eficaz em 10 passos, no qual ensina de maneira prática o passo a passo para dar feedback e DAILY SHOTS 365 Inspirações para começar bem o dia no trabalho, todos publicados pela Editora Integrare – www.integrareditora.com.br
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