quinta-feira, 30 de junho de 2022

Como reconhecer um relacionamento abusivo?

Psicóloga identifica os principais sinais que merecem atenção e como pode essa relação pode afetar a autoestima
 

A dinâmica dos relacionamentos se tornou um tema recorrente nos últimos anos. A internet e a rápida troca de informações facilitaram para que o público detectasse padrões de comportamento em seus cônjuges. Entre toda a gama de assuntos, os relacionamentos abusivos, e como livrar-se deles, tomou destaque. Mas o que é uma relação tóxica e como identificá-la?

O relacionamento abusivo é resumido quando um dos cônjuges é controlado pelo seu parceiro, e isso envolve o comportamento. Não apenas a violência física, mas a manipulação psicológica, as chantagens, decisões unilaterais sobre dinheiro e aspectos profissionais e pessoais, entre outros, tudo podem se enquadrar no tema.

A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UNINASSAU - Centro Universitário Mauricio de Nassau, em Paulista, Márcia Karine, lista alguns sinais que merecem atenção. "Ciúmes é algo clássico, e todos nós podemos sentir, mas, quando o parceiro, ou parceira, usa o ciúme para limitar nossas ações, é preciso ter cuidado. O relacionamento tóxico também é marcado pela promoção à insegurança, ou seja, aquele discurso de que 'ninguém vai te amar quanto eu', ou 'você só consegue fazer as coisas por minha causa', podem levar com que a vítima vá perdendo, aos poucos, seu senso de autonomia e independência. Sim, a violência física é grave, mas às vezes poderíamos ter nos atendado a alguns sinais antes de chegar a esse ponto", afirma a psicóloga.

Outro indicativo é a invasão de privacidade. O abusador começa a vigiar os passos do parceiro. No começo, isso pode parecer apenas um tipo de proteção, mas é preciso haver um equilíbrio. Por isso, é importante estipular os limites desde o começo. Em relação a demonstrações de afeto, principalmente, as que são muito exageradas, é preciso ter cuidado naquelas que causam grande constrangimento ou as que só acontecem após longos períodos de conflitos.

"Muitas pessoas gostam de receber um presente, ou de um gesto romântico, mas quando o parceiro só faz isso quando precisa remediar uma situação, o alerta deve ser ligado. Tem gente que realmente gosta de fazer gestos grandiosos e bonitos e isso não é problema, mas deve ser espontâneo e sincero, e não como algo condicional", ressalta Márcia.

Dificuldades em sair de uma relação tóxica ou até mesmo de admitir que já está (ou esteve) em uma, estão relacionadas à destruição de autoestima que o abusador faz (muitas vezes, de forma proposital). A vítima fica com medo do julgamento externo ou tem receio de que aquilo seja o melhor que consiga, e, ainda pior, de que qualquer outro relacionamento que tenha depois será ainda pior.

Márcia explica a importância do acompanhamento dos amigos nessas horas, assim como o trabalho de um psicólogo, caso a vítima tenha dificuldades em identificar a relação tóxica. "Relacionamentos são uma questão de parceria. Não é sobre um dominar o outro, mas sim sobre os dois se ajudarem a crescer, e se apoiarem quando algum dos dois (ou os dois) não estiver bem", conclui.

 

Mário Vasconcelos


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