Com abertura em 12 de maio, a exposição reúne cerca de 20 telas do pintor autodidata que dedicou sua arte a retratar a paisagem urbana de São Paulo
Após
um intervalo de 14 anos a Galeria Estação realiza uma nova exposição individual
do pintor Agostinho Batista de Freitas (1927-1997). A mostra, denominada
“Agostinho Batista de Freitas – Mestre das Ruas”, que poderá ser vista entre 12
de maio e 11 de junho, tem curadoria do crítico e professor Agnaldo Farias e
traz ao público uma seleção de cerca de 20 telas do artista que integram o
acervo da galerista Vilma Eid.
Admiradora
desse pintor que foi revelado às artes plásticas nos anos 1950 pelo diretor e
fundador do Masp, Pietro Maria Bardi (1900-1999), Vilma conheceu Agostinho no
início da década de 1990. “Eu já tinha adquirido vários trabalhos dele, mas
ainda não havíamos nos encontrado pessoalmente. Baixinho, atarracado, meio
marrento e com enorme domínio na arte de se expressar por meio de suas
composições, sobretudo em retratar a paisagem de São Paulo”, diz ela, que fez
uma grande exposição com obras dele em 2008.
Sobre
a motivação desta nova mostra, Vilma afirma que desde a exposição no Masp
(dezembro de 2016 a abril de 2017) nunca mais os quadros de Agostinho voltaram
ao circuito de exibição de museus e galerias. “Por isso decidi realizar
esta agora, trazendo ao público novamente algumas telas desse artista
autodidata que de forma poética e com maestria na composição de perspectivas
urbanas, na captura de cenas cotidianas e na utilização harmoniosa das cores
reproduz os mais diferentes ângulos da cidade. Uma obra que permanece atual e
nos surpreende pela singeleza de sua iconografia”, avalia.
Essa
característica do legado de Agostinho, o de levar as cenas do cotidiano para as
telas, foi o que chamou a atenção de Bardi, quando se deparou com o então
eletricista vendendo seus desenhos nas proximidades do Viaduto do Chá. De
imediato,o experiente crítico e colecionador teve a certeza de que estava
diante de alguém que poderia largar tudo para se dedicar somente à pintura. E,
depois de lhe dar tintas a óleo, pincéis e tela, fez uma encomenda: pintar uma
vista de São Paulo a partir do topo do então prédio do Banespa. O quadro, que
permaneceu com Bardi até seus últimos dias, foi a chancela para a primeira
mostra individual do artista, então com 25 anos de idade, no próprio Masp, em
1952.
Em
relação aos trabalhos que integram a nova exposição desse artista que considera
extraordinário e denomina como “Mestre das Ruas”, Agnaldo Farias recorda que
Agostinho percorreu a cidade de São Paulo inventariando sítios, trechos urbanos
e edificações a seu ver mais proeminentes. “Não obstante a preservação, ainda
que atenuado, do drama humano de quem habita as grandes cidades, o conjunto das
pinturas apresentadas na exposição de agora é mais solar que as realizadas nas
primeiras duas décadas de sua trajetória, de evidente extração expressionista”,
antecipa o curador, que também incluiu nesta mostra paisagens distantes da
metrópole.
“Se
a adesão de Agostinho à cidade era irrestrita, o mesmo não se podia dizer sobre
seu interesse pela vida rural. O artista ia do centro aos arrabaldes, às
rodovias que ligam as cidades umas as outras e até mesmo ao campo que não o
interessava muito, mas ao qual voltou por conta das encomendas, aparentemente
em maior número do que as de pinturas urbanas. Sobre essa parcela imprevista da
produção, dizia realizar de memória, o que, trocando em miúdos, significava que
era irrigada pela imaginação”, contextualiza Farias.
SOBRE
AGOSTINHO BATISTA DE FREITAS
Filho
de imigrantes da Ilha da Madeira, nasceu em 1927 e foi criado em um sítio em
Paulínia, então distrito de Campinas, onde trabalhou na lavoura até os 11 anos
e estudou somente até o terceiro ano do primário. Após a morte de sua mãe,
mudou-se com o pai para São Paulo. Na capital paulista trabalhou como ajudante
de pedreiro e foi funcionário de uma fábrica de brinquedos, de onde foi
demitido por desenhar durante o expediente de trabalho. Depois de se
especializar como eletricista, nas horas vagas vendia seus quadros na região
central da cidade, onde encontrou Pietro Maria Bardi. Apesar de ter o centro da
metrópole como musa de inspiração para suas pinturas, também retratou as
periferias da cidade, como o bairro do Imirim, onde residia, e cenas de
cotidiano e lazer de parcelas menos favorecidas da capital, como parques de
diversão, crianças empinando pipas e até festas juninas. Faleceu em São Paulo
em 1997.
SOBRE
AGNALDO FARIAS
É
professor doutor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São
Paulo.
Foi
curador geral do Museu Oscar Niemeyer, de Curitiba, do Instituto Tomie Ohtake
(2000/2012) e do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1998/2000). Curador
de Exposições Temporárias do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São
Paulo (1990/1992). Em relação à Bienal de São Paulo, foi curador geral da 29ª.
Bienal de São Paulo (2010), da Representação Brasileira da 25ª Bienal de São
Paulo (1992) e curador adjunto da 23ª Bienal de São Paulo (1996). Também
foi curador Internacional da 11ª Bienal de Cuenca, Equador (2011), do Pavilhão
Brasileiro da 54ª edição da Bienal de Veneza (2011) e curador geral da 3ª
Bienal de Coimbra, 2019.Recebeu o prêmio “Melhor retrospectiva” da Associação
Paulista de Críticos de Arte – APCA, 1994, pela Exposição Nelson
Leirner, e o Prêmio Maria Eugênia Franco, da Associação Brasileira de
Críticos de Arte – ABCA, pela melhor curadoria de 2011.
SOBRE A GALERIA ESTAÇÃO
Com um acervo entre os pioneiros
e mais importantes do país, a Galeria Estação, inaugurada no final de 2004 por
Vilma Eid e Roberto Eid Philipp, consagrou-se por revelar e promover a produção
de arte brasileira não-erudita. A sua atuação foi decisiva pela inclusão dessa
linguagem no circuito artístico contemporâneo ao editar publicações e realizar
exposições individuais e coletivas sob o olhar dos principais curadores e
críticos do país. O elenco, que passou a ocupar espaço na mídia especializada,
vem conquistando ainda a cena internacional ao participar, entre outras, das
exposições “Histoire de Voir”, na Fondation Cartier pour l’Art Contemporain
(França), em 2012, e da Bienal “Entre dois Mares – São Paulo | Valencia”, na
Espanha, em 2007. Emblemática desse desempenho internacional foi a mostra
individual do “Veio – Cícero Alves dos Santos”, em Veneza, paralelamente à
Bienal de Artes, em 2013. No Brasil, além de individuais e de integrar
coletivas prestigiadas, os artistas da galeria têm suas obras em acervos de
importantes colecionadores brasileiros e de instituições de grande prestígio e
reconhecimento, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu de Arte de
São Paulo, o Museu Afro Brasil (São Paulo), o Pavilhão das Culturas Brasileiras
(São Paulo), o Instituto Itaú Cultural (São Paulo), o SESC São Paulo, o MAM-
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o MAR , na capital fluminense.
SERVIÇO
AGOSTINHO
BATISTA DE FREITAS – MESTRE DAS RUAS
Quando:
12 /5 a 11/6
Onde:
Galeria Estação
Endereço:
Rua Ferreira Araújo, 625 - Pinheiros, São Paulo
Vernissage:
12/5, das 14h às 19h
Horários
de funcionamento da galeria: segunda a sexta, das 11h às 19h;
sábados, das 11h às 15h; não abre aos domingos
Tel: 11 3813-7253
Email:contato@galeriaestacao.com.br
Site:http://www.galeriaestacao.com.br/
Instagram:
@galeriaestacao

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