Os
casos de COVID-19, causados pelo novo coronavírus, têm despertado uma série de
dúvidas no mundo inteiro. Diante do avanço da doença, governos de diversos
países, incluindo o Brasil, têm tomado algumas medidas com a expectativa de
conter a pandemia. A recomendação geral é para que as pessoas evitem sair de
casa, visto que, uma das principais formas de transmissão do vírus se dá
através de gotículas no ar, ocasionadas por tosse ou espirro, além do contato
direto com superfícies ou pessoas infectadas.
A
quarentena, recomendada como alternativa para achatar a curva de contaminação e
evitar o colapso no sistema de saúde, colocou a todos em isolamento social.
Todos os serviços e comércios não essenciais devem permanecer fechados.
Empresas se adequaram com funcionários atuando em home office. Além disso,
redes municipais e estaduais de ensino e as instituições particulares também
suspenderam as aulas e, recentemente, decretaram as férias escolares para o mês
de abril.
Mas,
como passar por este período de forma leve e com qualidade? Entre tantos cuidados
recomendados, é fundamental redobrar as atenções também com a saúde e bem-estar
de crianças e adolescentes. O desafio é: como fazer isso com espaço e
atividades limitadas?
Com
relação à saúde e bem-estar dos filhos, é fundamental que os pais alertem sobre
os cuidados necessários de forma leve, sem passar a sensação de ansiedade e
estresse que o cenário pode causar. Sabemos que crianças e adolescentes são
menos suscetíveis aos agravamentos da doença, mas são potenciais transmissores.
Por isso, o alerta para o aparecimento de sintomas vale para todos em casa.
Para
que todos passem por este período da melhor forma possível, converse com seus
filhos e ajude-os a lidar com as emoções. Epidemias costumam provocar um pânico
generalizado na população, principalmente quando não se tem informações e
estudos avançados sobre a doença. Esse tipo de situação pode assustar os
pequenos e abalar a saúde mental de todos, causando estresse e ansiedade.
Especialmente se estão na fase escolar, com muita energia e curiosidade
aguçada, é comum que elas absorvam a situação de forma mais alarmada que um
adulto.
A
dica é ensinar a higienização correta das mãos, de uma forma dinâmica e
descontraída, redobrar a atenção com relação aos brinquedos e objetos que podem
ser levados à boca – por isso, sempre manter os brinquedos higienizados e as
áreas em que a criança costuma brincar limpa e arejada.
Outro
ponto importante é a qualidade na rotina. Um cronograma criativo, com cores e
desenhos ajudando para que a criança se mantenha entretida, produtiva e
alinhada com os hábitos que costumava ter na escola, além de facilitar a
própria rotina e obrigações dos adultos. No cronograma é importante ter tempo
limitado para o uso de tecnologias como tablets, celulares e televisão. De
acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), crianças com menos de 2 anos
não devem ter contato com telas. Apesar de parecer ser o jeito mais fácil de
acalmá-las, não é o indicado. Além disso, diminuir o tempo que os pequenos
ficam em carrinhos de bebê ou sentados em frente à televisão ajudam a
desenvolver uma infância mais saudável e positiva.
O
cronograma das crianças também deve estipular os horários para lições,
refeições e banho. Para os fins de semana, é construtivo estimular a
participação na rotina dos cuidados com a casa e aproveitar o momento para
ensinar a importância de manter as coisas limpas e organizadas.
Além
disso, é importante aproveitar o momento para construir e fortalecer a conexão
entre pais e filhos. Por isso, durante as refeições, indicamos desligar
celulares, TV e notebooks. Uma refeição à mesa, com todos reunidos e
conversando sobre o dia ou fazendo planos para os próximos dias, como era de
costume antes da tecnologia nos absorver por completo com certeza é uma boa
forma de passar por este período mais fortalecidos e emocionalmente estáveis,
estreitando o vínculo familiar. No fim do dia, quando o expediente se encerra,
que tal proporcionar um momento em família com jogos ou outra forma de diversão?
Com certeza fará bem a todos em casa.
Vale
lembrar de uma preciosa informação: uma boa parte das crianças infectadas não
apresentam sintomas da doença, mas podem transmitir. Então o isolamento social
deve ser cumprido. Os vovôs e vovós vão ter saudades dos seus netos, mas todos
devem se manter em casa e evitar contato com pessoas de outro domicílio. A
saudade é grande, mas será por uma boa causa: a saúde de todos.
Em
meio a tantos temores e incertezas a ameaça do novo coronavírus pode servir
para nos tornar pessoas melhores, refletindo sobre a importância das relações
pessoais e o cuidado com a saúde, valores que devem ser absorvidos pelas
crianças e adolescentes desde cedo, não é mesmo?
Flauber Santos Filho - pediatra e
coordenador da Pediatria do Hospital HSANP
Nenhum comentário:
Postar um comentário