No mundo todo, o
sofrimento de mais de três mil golfinhos em cativeiro movimenta até 5,5 bilhões
de dólares pela indústria do entretenimento.
Apesar
de representarem uma considerável fatia do público que visita delfinários no
mundo, 90% dos brasileiros que estiveram em atrações com golfinhos preferiria
observá-los livres na natureza. Os dados são da pesquisa “Por trás do sorriso”,
realizada em 2018 e 2019 pela Proteção Animal Mundial, organização
não-governamental que trabalha em prol do bem-estar animal. A pesquisa motivou
a campanha global “Não se engane com um sorriso”, pela qual a organização pede
que o Grupo Expedia se junte à outras empresas de turismo e deixe de oferecer e
comercializar passeios para delfinários, não incentivando uma indústria de
bilhões de dólares baseada no sofrimento de animais silvestres vivendo em
cativeiro.
Ao
investigar 336 instalações com golfinhos em confinamento, distribuídas em 54
países, a Proteção Animal Mundial contabilizou mais de três mil animais presos
em cativeiro para servir ao entretenimento humano. “Se estão em cativeiro, os
golfinhos sofrem. Estes tanques são minúsculos e monótonos, não oferecem a
complexidade do ambiente natural, ou seja, não atendem as necessidades destes
animais. Além disso, estes animais são separados das mães, expostos a cloro
100% do tempo. Os níveis de estresse e agressividade são altos, apenas para
divertir turistas”, afirma João Almeida, gerente de vida silvestre na Proteção
Animal Mundial, lembrando que, desde 1987, o Brasil possui uma legislação que
proíbe qualquer tipo de atração que mantenha cetáceos em cativeiro.
Comum
nos anos 80 no Brasil, a proibição se deu pelo sofrimento vivido pelos animais
em cativeiro. Enquanto na natureza os golfinhos ocupam uma área superior a 100
quilômetros quadrados, ao serem aprisionados vivem em tanques de concreto até
200 mil vezes menor que o seu habitat natural. Em cativeiro, os animais são
expostos aos riscos de infecção, drogados para enfrentarem o cativeiro e
privados a poucos metros de deslocamento diário.
De
acordo com a pesquisa, 76% dos brasileiros que visitaram delfinários o fizeram
nos Estados Unidos – o país abriga três das principais atrações do setor: o
Discovery Cove, o Miami Seaquarium e o principal player da indústria, o
SeaWorld. O México foi o segundo destino de preferência dos brasileiros que
visitaram delfinários, onde normalmente os turistas estão mais propensos a
atividades de interação direta com os golfinhos – como nadar, alimentar e tirar
selfies.
Indústria multibilionária – A pesquisa calculou
que, anualmente, até 5,5 bilhões de dólares é o valor movimentado pelo mercado
de entretenimento com golfinhos. “Por ser altamente lucrativo, a indústria
engana seu público, contando mentiras sobre seu papel educacional e para a
conservação, e sobre a forma que estes animais são tratados e de como reagem ao
cativeiro. Apesar de parecerem sorrir – na verdade eles não manifestam outra
expressão –, golfinhos são extremamente inteligentes e sofrem ao extremo por
conta do entretenimento”, aponta Almeida.
Operadoras
e agências de turismo desempenham um papel fundamental no setor. De acordo com
a pesquisa, um em cada quatro turistas visitou delfinários como parte de seus
pacotes turísticos. A influência dessas empresas foi alta entre os turistas
brasileiros. “Este dado revela a força e a responsabilidade da indústria de
turismo brasileira. Vamos trazer conhecimento e faremos reuniões com as grandes
empresas do setor para entenderem o problema e a solução e não mais oferecerem
nos roteiros qualquer atração relacionada a golfinhos em cativeiro. Isso é
crueldade, há inclusive riscos para as marcas”, pontua Almeida.
Para
tanto, a Proteção Animal Mundial lançou a campanha global “Não se engane com um
sorriso” com a qual espera que o Grupo Expedia pare de estimular e comercializar
passeios e ingressos para atrações com golfinhos em delfinários. Entre todas as
empresas de viagens avaliadas, as empresas do Grupo Expedia são as únicas a
oferecer ingressos para nove das dez principais atrações com golfinhos no
mundo, além de vender ingressos para outros 32 parques que mantém este grupo em
cativeiro. No Brasil, empresas como Latam Travel e CVC comercializam pacotes de
viagens que incluem visitas à delfinários.
Almeida
explica que, apesar de ser um mercado lucrativo, com o suporte da Proteção
Animal Mundial algumas empresas gigantes do setor já deram passos recentes
importantes para a transição e para acabar com a crueldade com golfinhos. O
Tripadvisor se comprometeu a não mais oferecer ingressos para atrações que usem
golfinhos ou baleias como entretenimento, decisões corporativas que também
foram adotadas pela Booking.com, British Airways Holidays e Virgin Holidays.
Além disso, o Airbnb lançou uma rigorosa política de bem-estar animal para as
experiências oferecidas por seus anfitriões.
“Estamos
trabalhando para que esta seja a última geração de golfinhos em cativeiro. Este
tipo de entretenimento significa sofrimento e crueldade para estes animais,
disfarçada de diversão familiar. Quando mantidos em tanques do tamanho de uma
tela de cinema, estes animais extremamente inteligentes são forçados a realizar
truques em troca de comida, é uma sentença de prisão perpétua”, finaliza
Almeida.
Sobre a Proteção Animal
Mundial (World Animal Protection)
A
Proteção Animal Mundial move o mundo para proteger os animais por mais de 50
anos. A organização trabalha para melhorar o bem-estar dos animais e evitar seu
sofrimento. As atividades da organização incluem trabalhar com empresas para
garantir altos padrões de bem-estar para os animais sob seus cuidados;
trabalhar com governos e outras partes interessadas para impedir que animais
silvestres sejam cruelmente negociados, presos ou mortos; e salvar as vidas dos
animais e os meios de subsistência das pessoas que dependem deles em situações
de desastre. A organização influencia os tomadores de decisão a colocar os
animais na agenda global e inspira as pessoas a mudarem a vida dos animais para
melhor. Para mais informações acesse: www.protecaoanimalmundial.org.br.
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