segunda-feira, 29 de julho de 2019

Confiança do consumidor e intenção de financiamento estão em alta, mas Dia dos Pais deve ser de “lembrancinhas”, aponta FecomercioSP


 Instituições financeiras permanecem restritivas na liberação de crédito em razão da elevada taxa de desemprego


A aprovação da Reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados já começa a trazer os primeiros reflexos para a economia. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) paulistano subiu 3,3% em julho, após quatro quedas consecutivas em 2019. A propensão de comprar algum produto financiado nos próximos três meses também registrou alta considerável de 11,6% ante o mês de junho, depois de duas baixas seguidas.

Entretanto, o Índice de Consumo das Famílias (ICF) ainda patina, com recuo de 3,2%, isso porque embora o consumidor esteja mais disposto a ir às compras, como apontaram as pesquisas acima, as instituições financeiras ainda seguram o crédito diante da inflação e do alto índice de desemprego no País. Pois dentro dos subíndices do ICF, pode-se observar que o acesso ao crédito sofreu queda de 5,1%.

De acordo com a FecomercioSP, diante das respostas do ICC, o consumidor faz uma avaliação mais macro da economia, enquanto o ICF está baseado em suas impressões do cotidiano, ainda complicadas diante das altas taxas de juros, inflação e desemprego. Os bancos, por sua vez, só devem liberar crédito quando houver queda nos índices de desemprego, para não correr o risco de elevação da inadimplência.

Ainda segundo a assessoria econômica da Entidade, a próxima data comemorativa, o Dia dos Pais, será de “lembrancinhas”, como ocorreu no Dia dos Namorados. A expectativa é que as vendas do segundo semestre sejam impulsionadas entre os meses de novembro e dezembro, com as promoções da Black Friday e do Natal.

A Federação ainda recomenda aos lojistas oferecerem parcelamentos no carnê, tendo em vista a dificuldade dos paulistanos em conseguir crédito nas instituições financeiras, uma vez que a Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (PRIE) demonstrou interesse dos consumidores por financiamentos.
 

Perspectivas
 
A expectativa da FecomercioSP é que a Reforma da Previdência seja aprovada no segundo turno na Câmara dos Deputados e passe pelo Senado. Dessa forma, será possível que outras medidas do governo para economia sejam acatadas, o que promoverá melhora nas contas públicas e deixará o País mais propício para receber investimentos, tanto internos quanto externos. Assim, o ritmo econômico do segundo semestre tende a ser melhor do que o do primeiro de 2019.

Contudo, a Entidade aguarda por novos projetos, tanto da esfera federal quanto da estadual, que desburocratizem o ambiente de negócios e simplifiquem o pagamento de impostos, tal como a eliminação dos registros e obrigações acessórias e a utilização do valor faturado como base para cálculo, preenchimento e recolhimento dos tributos, a exemplo do que é feito na maioria dos países ou grupos de Estados desenvolvidos, como Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Singapura, entre outros.

Para a Federação, o sistema tributário brasileiro atual gera sérios entraves ao desenvolvimento empresarial e à criação de novos empregos. Com essas mudanças, será possível que haja um ritmo mais forte de crescimento econômico para 2020 e passe dos 3% ao ano.


ICC
 
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) paulistano obteve alta de 3,3% em julho, ao passar de 107,4 pontos para os atuais 110,9 pontos. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o ICC avançou 7,2%.

Entre os dois quesitos que compõem o indicador, o Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) registrou elevação de 3,8% e passou de 84,1 pontos em junho para 87,3 pontos em julho. Já o Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) subiu 3,1% – 122,9 pontos em junho para os atuais 126,7 pontos. No comparativo anual, ambos também registraram altas de 14,2% e 4,2%, respectivamente.


ICF
 
O Índice de Consumo das Famílias (ICF) recuou 3,2% em julho: de 94,5 pontos em junho para os atuais 91,5 pontos. Contudo, em comparação ao mesmo período do ano passado, registrou alta de 6,1%.

Os sete itens analisados sofreram retração, com destaque para Acesso ao crédito (-5,1%), que passou de 97,9 pontos em maio para os atuais 92,9 pontos. Isso significa que 38,7% dos paulistanos disseram estar mais difícil a obtenção de crédito para compras a prazo.

Assim, a segunda maior queda dos subíndices do ICF foi a de Momento para duráveis (-4,2%): 61,7 pontos em julho, ante os 64,4 pontos do mês anterior. Isso porque, embora os consumidores estejam dispostos a gastar mais, com menos crédito disponível não conseguem adquirir produtos com valores maiores, pois necessitam de parcelamento no cartão de crédito, carnê ou financiamento.


PRIE
 
A Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (PRIE) apontou que, após duas quedas seguidas, a parcela de paulistanos que pretendem comprar algum produto financiado ou parcelado registrou alta de 11,6% – de 46,1 pontos em junho para os atuais 51,5. Na comparação com o mesmo período do ano passado, também houve elevação significativa (28%).


Metodologia 
 
ICC
 
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados de aproximadamente 2,1 mil consumidores no município de São Paulo. O objetivo é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação econômica futura.

Os dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, apresenta-se em: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.


ICF
 
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde janeiro de 2010, com dados de 2,2 mil consumidores no município de São Paulo. O ICF é composto por sete itens: Emprego atual; perspectiva profissional; Renda atual; Acesso ao crédito; Nível de consumo atual; Perspectiva de consumo; e Momento para duráveis. O índice vai de zero a 200 pontos, no qual abaixo de 100 pontos é considerado insatisfatório e acima de 100 pontos é denotado como satisfatório. O objetivo da pesquisa é ser um indicador antecedente de vendas do comércio, tornando possível, a partir do ponto de vista dos consumidores e não por uso de modelos econométricos, ser uma ferramenta poderosa para o varejo, para os fabricantes, para as consultorias e para as instituições financeiras.
 

PRIE
 
A Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (PRIE), apurada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), tem o objetivo de acompanhar o interesse dos paulistanos em contrair crédito e a evolução da proporção de famílias endividadas na capital paulista que possuam aplicações financeiras, gerando um índice de risco inerente a essas operações. Os dados que compõem a PRIE são coletados em 2,2 mil entrevistas mensais realizadas na cidade de São Paulo.



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