Segundo a professora Silvana Quintana, infecções
urinárias devem sempre ser tratadas com orientação médica sob risco de
evoluírem para quadros infecciosos mais graves
Se não tratadas
adequadamente, podem causar sérias complicações à saúde
Quando o assunto é saúde feminina, é difícil não se
referir às incômodas infecções urinárias. Queixa comum nos consultórios
médicos, atinge 50 vezes mais mulheres do que homens. Isso se deve
principalmente à anatomia feminina: uretra mais curta e mais próxima do ânus.
Causadas principalmente pela Escherichia
coli, bactéria presente no intestino e importante para a digestão,
as infecções são classificadas como uretrites (quando acometem a uretra),
cistites (bexiga) e pielonefrite (rins). “A cistite, principalmente, é comum
nas mulheres e causa grande desconforto. Muitas chegam a desenvolver até quatro
infecções urinárias por ano. Mas, embora sejam comuns, devem sempre ser
tratadas com orientação médica devido ao risco de evolução para quadros
infecciosos mais graves”, alerta a professora livre docente do Departamento de
Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo, Dra. Silvana Quintana.
As principais queixas são: urinar em pequena
quantidade em várias vezes (polaciúria) e ardência ao urinar (disúria).
Sensação de peso ou dor pélvica, urina turva ou escura e presença de sangue na
urina também são sintomas indicativos de uma infecção.
O mal-estar causado pelas infecções muitas vezes
leva a paciente a buscar alternativas mais rápidas como o uso de medicamentos
que aliviam os sintomas ou uso de sobras de antibióticos. “A legislação atual,
que controla a venda de antibióticos, contribuiu muito para evitar a
automedicação, mas ainda há quem busque alternativas caseiras ou faça uso de
sobras de remédios”, comenta Dra. Silvana. “É importante frisar que toda
medicação tem riscos, que podem ser potencializados se forem utilizadas doses e
intervalos inadequados”.
Prevenção
Alguns hábitos têm sido associados à prevenção de
infecções urinárias:
- Ingerir
muita água, pois colabora com a eliminação de bactérias da bexiga;
- Urinar
com frequência. Segurar a urina aumenta o risco de proliferação de
bactérias. Urinar após uma relação sexual também favorece a eliminação de
bactérias que possivelmente tenham entrado no trato urinário durante o
coito;
- Caprichar
na higiene mantendo a região genital sempre limpa. Após a evacuação,
passar o papel higiênico de frente para trás e lavar a região com água e
sabão;
- Tratar
a prisão de ventre, pois também auxilia na proliferação de bactérias;
- Evitar
roupas muito apertadas e cuidar da higiene das roupas íntimas;
- Trocar
absorventes internos e externos com frequência de duas a três horas, no
máximo.
Diagnóstico e tratamento
Embora o exame de cultura de urina (urocultura)
seja o padrão para o diagnóstico da infecção urinária, atualmente cresce o uso
das técnicas de biologia molecular como opção para resultados mais rápidos e
minuciosos para casos de infecções. O diagnóstico preciso da infecção e o
tratamento correto são fundamentais, uma vez que as infecções urinárias podem
evoluir para quadros graves como infecção renal (pielonefrite), sepse (infecção
generalizada) e até mesmo danos permanentes nos rins. Em gestantes, aumentam as
chances de parto prematuro ou bebê com peso abaixo do normal e óbito fetal.
Baseados na tecnologia de PCR (reação em cadeia da
Polimerase) em tempo real, exames moleculares detectam diferentes patógenos
causadores de uretrites e infecções sexualmente transmissíveis (IST). “O teste
molecular oferece, em poucas horas, resultado preciso sobre as bactérias
presentes na amostra. Desta forma, o médico pode prescrever o antibiótico
específico para o patógeno identificado, evitando possíveis readequações no
tratamento”, explica o responsável pelo laboratório da Mobius Life Science,
Lucas França.
Geralmente, o tratamento de uma infecção urinária é
feito com antibiótico associado a medicamentos para alívio do desconforto, como
antissépticos e analgésicos. Os sintomas costumam desaparecer em poucos dias,
mas é fundamental que o paciente complete o tratamento no prazo determinado
pelo médico, sob risco de retorno ou agravamento da doença.
Mobius Life
Science
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