sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Medicina Nuclear é importante ferramenta na detecção de metástase



No Dia Mundial do Câncer, Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear chama atenção para necessidade de ampliação de incentivos à incorporação de tratamentos mais eficazes e precisos na rede pública de saúde


De acordo com projeção da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC), até 2030, câncer será a principal causa de morte em todo o mundo – anualmente, 9,6 milhões de pessoas em todo o globo perdem vida em decorrência da doença. Para prevenir o avanço desses números, o diagnóstico precoce é importante para evitar que as células cancerígenas espalhem-se para outras regiões do corpo, as chamadas metástases, estágio mais avançado. Contudo, no Brasil, 40% dos casos são identificados já em fases mais graves. Neste caso, a medicina nuclear é ferramenta importante para precisão e agilidade diagnóstica e terapêutica.

A especialidade, que utiliza materiais radioativos em baixas doses para proporcionar diagnósticos cada vez mais assertivos, tem entre suas ferramentas na investigação de metastases a tomografia por emissão de pósitrons (PET/CT). Por meio deste exame, se avalia a presença de lesões metastáticas e se detectadas permite a realização de biópsias, possibilitando que o tratamento contra a doença tenha maior eficácia e acurácia. “O procedimento permite visualizar a fisiologia humana por meio da concentração dos radiofármacos utilizados nos exames. As células cancerígenas precisam se reproduzir rapidamente, o que aumenta seu consumo de energia; o exame de PET/CT aproveita desta característica para reconhecer se o câncer foi disseminado para outras estruturas do organismo”, explica Juliano Cerci, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN).

O PET/CT é um dos exames mais avançados no que tange o diagnóstico de câncer. “Ele pode alterar a forma de tratamento em cerca de 30% dos pacientes com câncer colorretal, principalmente ao detectar massas extra-hepáticas, por exemplo, que não são captadas nos exames tradicionais como tomografia e ressonância”, cita Cerci.

A medicina nuclear é amplamente utilizada para identificar a metástase óssea, inclusive encontrando-a antes mesmo de manifestar quaisquer sintomas. Entre os tumores mais comuns que se espalham para os ossos, destacam-se o de mama, de pulmão, de próstata, de tireoide e de rim.


Importante passo

Recentemente, o Governo Federal deu um passo importante para o avanço brasileiro da medicina nuclear:  o início da construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), empreendimento que será capaz de produzir radiofármacos utilizados no diagnóstico e tratamento oncológico, por exemplo. Com isso, visa-se suprir a demanda nacional e ampliar o acesso aos procedimentos da medicina nuclear no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Por ano, cerca de dois milhões de exames da medicina nuclear são realizados no Brasil, porém apenas 30% deles são realizados para o SUS, sendo que o SUS é responsável pela saúde de 75% da população brasileira. Ou seja, existe um abismo muito grande entre a medicina privada e a do SUS”, afirma Cerci, da SBMN.

O especialista atesta que o sistema de saúde brasileiro ainda se mostra muito defasado em relação ao restante do mundo e tem um longo caminho a ser percorrido rumo a disseminação dos tratamentos a base de tecnologias modernas e eficazes.

“É importante ter em mente que algumas conquistas já são um grande marco para a comunidade nuclear, porém seguimos com um cenário em que diversos países de baixa e média renda não contam com apoio governamental para melhorar a saúde pública”, completa Cerci.

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