segunda-feira, 30 de julho de 2018

Seca aumenta irritação nos olhos


 Baixa umidade do ar predispõe à síndrome do olho seco que pode evoluir para conjuntivite ou alergia ocular. Saiba como prevenir


Não são só os reservatórios de água que estão em estado de alerta por causa da seca. De uma hora para outra os olhos coçam, ardem e a cada piscada parecem estar sendo arranhados pelas pálpebras. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier de Campinas, estas são as queixas mais comuns no hospital nas últimas semanas. “Tudo começa com a menor umidade do ar que predispõe à síndrome do olho seco” afirma.   Para se ter ideia, a previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia)  é de que até final de agosto a maior parte do país vai estar em estado de alerta com umidade do ar próxima a 30%.

O médico explica que a síndrome do olho seco é uma alteração na quantidade ou qualidade da lágrima que tem a função de alimentar, oxigenar e proteger a superfície ocular. O tratamento é feito com colírio lubrificante, mas não vale usar qualquer um. “A lágrima tem três camadas: aquosa, lipídica e proteica. O tipo de colírio indicado para cada pessoa varia conforme a camada que entrou em desequilíbrio, salienta.


Tratamento de conjuntivite deve ser imediato

”A primeira reação para diminuir o desconforto do ressecamento ocular é levar as mãos aos olhos e deles para o teclado do computador, corrimão de escada e outras superfícies que são tocadas por muitas pessoas”, afirma. Por isso, é muito comum a síndrome do olho seco evoluir para conjuntivite. A doença, explica,  é uma inflamação da conjuntiva, membrana que recobre a face interna da pálpebra e a esclera, parte branca do olho. Pode ser causada por vírus ou bactéria e nos dois casos é altamente contagiosa.

O médico afirma que muitas pessoas acreditam que a conjuntivite é um mal menor e por isso adiam o tratamento. Não é bem assim. Quanto antes for tratada, melhor. Os sintomas podem desaparecer em poucos dias. “Quem adia o uso do colírio pode ficar com sequela permanente na visão caso se formem cicatrizes na córnea” adverte.  Também não vale recorrer a tratamentos caseiros, soro fisiológico ou pingar o colírio usado no ano passado. Isso porque, se for viral o tratamento é feito com corticóide. Já a bacteriana é tratada com antibiótico. “O sal do soro fisiológico pode irritar ainda mais e até contaminar o olho porque não tem conservante. Já um colírio inadequado pode mascarar a doença e todo colírio depois de aberto só tem 30 dias de validade e deve ser descartado”, afirma. 


Falta de lágrima reduz a imunidade 

Queiroz Neto lembra que a falta de lágrima desequilibra a imunidade da porção externado olho. Por isso, um levantamento da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostra que 7 em cada 10 pessoas com alguma doenças alérgica respiratória - rinite, sinusite, bronquite ou asma - mais frequentes no inverno,  desenvolvem simultaneamente alergia nos olhos. Ao contrário da conjuntivite viral e bacteriana, a alérgica não é contagiosa, mas pode predispor ao ceratocone, doença degenerativa que afina e deforma a córnea. O tratamento é feito com colírio anti-histamínico ou corticoide, dependendo da gravidade da alergia. O oftalmologista adverte que usar colírio com corticóide por tempo prolongado predispõe ao glaucoma e à catarata. Por outro lado, a interrupção do uso não pode ser repentina para evitar efeito rebote. Por isso, embora a venda seja livre, o medicamento só deve ser usado com supervisão médica. 



Prevenção

As dicas do oftalmologista para prevenir a síndrome do olho seco e a alergia  são: beber água com frequência, comer frutas, verduras e legumes ricos em vitamina A e E, colocar vasilhas com água nos ambientes, ingerir alimentos ricos em ômega 3 que é encontrado em nozes, semente de linhaça, salmão e sardinha, evitar o uso de ar condicionado, manter os ambientes livres de poeira, desviar os olhos das telas eletrônicas por 5 a 10 minutos a cada hora, piscar voluntariamente quando usar o computador ou tablet e proteger os olhos da poluição com óculos apropriados nas atividades externas. 

Para prevenir a conjuntivite viral e bacteriana Queiroz Neto recomenda lavar as mãos com frequência,  separar e trocar fronhas e as toalhas diariamente, não compartilhar maquiagem ou colírio, higienizar as mãos com álcool gel, evitar tocar os olhos, higienizar as mãos com álcool, evitar tocar em superfícies de locais públicos e higienizar o mouse e o teclado compartilhado com outras pessoas na empresa com álcool.

Para usuários de lente de contato a dica é manter os olhos hidratados e interromper o uso ao menor desconforto. A insistência em manter as lentes nos olhos antecipa seu vencimento.



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