Façamos de conta que
aquela contratação emergencial para cobrir uma vaga de vendas aconteceu
na nossa empresa. Nesse processo, geralmente, a área de RH acaba
“se virando” para conseguir regularizar a contratação do
profissional.
Se até recentemente esta
contratação a jato pudesse, por algum motivo, acarretar na
realização do exame admissional depois do
efetivo registro em carteira, a partir de julho de 2018 isto,
provavelmente, não mais acontecerá sem que a empresa
seja autuada e/ou que receba a visita de um fiscal do
trabalho a fim de entender se há outros problemas de inconsistência de
informação.
Sabe por quê? Porque
depois de muitos recuos e postergações, finalmente o Governo Federal conseguiu
implantar uma interessante melhoria tecnológica em seus processos, centralizando uma
série de informações geradas pelas empresas em relação aos
seus empregados.
Trata-se do eSocial,
um sistema tão completo que alguns amigos o chamam de Big Brother empresarial.
Apesar da ironia, a definição não está longe da
realidade, visto que o eSocial consolidará e conectará, de forma
padronizada, informações trabalhistas, previdenciárias,
tributárias e fiscais.
Haverá, assim, uma maior
exposição das empresas e um potencial risco trabalhista, se
processos não forem redesenhados e se as informações
não estiverem disponíveis na forma e no tempo devidos.
Agora, o mais curioso
(ou preocupante), é que muitas empresas não têm dado a devida importância aos
impactos do eSocial para a área de Medicina e
Segurança do Trabalho.
Comecemos pelo princípio.
Apesar de nem todo empresário saber, a Lei já exigia, de toda e
qualquer empresa com ao menos 01 trabalhador regido pela CLT, a
elaboração de programas que visam promover a saúde e a integridade dos
trabalhadores: o PPRA, o PCMSO e o AET.
Assim, é sempre bom
relembrar: no PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) são
reconhecidos os riscos existentes no ambiente de trabalho e
definidas as formas de controle para eliminar ou neutralizar
tais riscos. Já o AET (Atestado Ergonômico de Trabalho,
chamado por alguns de Laudo Ergonômico), busca colocar cada trabalhador em um
posto de trabalho compatível com suas características
psicofisiológicas, permitindo a realização de tarefas com o menor desgaste
ao organismo e, consequentemente, reduzindo os riscos de
acidentes do trabalho e/ou do surgimento de doenças e condições a ele
relacionadas. A partir dos riscos elencados no PPRA, define-se no PCMSO (Programa
de Controle Médico de Saúde Ocupacional), que são ações da empresa para preservação
da saúde dos trabalhadores, inclusive com a definição de exames
médicos clínicos e complementares a serem realizados.
Apesar de serem ferramentas importantes
de proteção da saúde do trabalhador,
estes programas nunca foram objeto de grande preocupação das empresas
brasileiras. Isso ocorreu, basicamente, porque nunca foram
objeto de fiscalização governamental.
Com o eSocial, as
informações destes três programas de Segurança e Saúde Ocupacional terão
que ser enviadas mensalmente por todas as empresa com ao menos
um funcionário registrado, juntamente com os dados da Folha de Pagamento e
outras informações igualmente importantes. Todos os prazos que a regulamentação obriga as
empresas a cumprir poderão ser religiosamente analisados e fiscalizados à
distância de um clique.
A questão que fica é: estamos
preparados para tal mudança de processos e de tecnologia no tratamento
de assuntos relacionados à Segurança e Medicina Ocupacional? Uma das
crenças discutidas internamente na protect é que o pequeno e
médio empresário sofre nas mãos de fornecedores não tão
profissionais ou de ofertas que não se adequam à sua realidade. Esta “sofrência”,
como diria o poeta, recai igualmente nas áreas de RH e/ou Administrativa das
empresas brasileiras.
Quando afirmamos isto,
tenho certeza que você, leitor, está balançando a cabeça afirmativamente,
talvez até dizendo “sei bem o que é isso”. Com as constantes mudanças em
todas as searas e regulamentações que recaem sobre as empresas brasileiras, não
é de se estranhar que poucos tenham dado, até o momento,
a devida atenção às mudanças que o eSocial exigirá
no dia a dia de empresas.
Neste contexto, temos
sido procurados por escritórios de contabilidade para
saber que caminho seguir e como sensibilizar seus clientes com relação a este
assunto tão importante, que é a Segurança e Saúde Ocupacional.
Nossa recomendação tem
sido sempre na linha de marcar encontros com seus clientes, empresários
de todo porte, e mostrar a fotografia que está se desenhando. Conversar com
parceiros sérios, que tenham know-how e tecnologia suficientes
para subsidiá-los de informações. Somente depois de uma boa análise
e negociação, estabelecer um cronograma de
implantação de todos os processos e relatórios de Saúde Ocupacional a
serem entregues através do eSocial.
Dado o nosso foco em bem
atender empresários de pequeno e médio porte, temos conseguido
trazer soluções que efetivamente agreguem valor neste momento de incertezas. O
eSocial não é um bicho de sete cabeças, mas precisa ser
encarado com sua devida importância e planejamento.
Richard Freitas - sócio-diretor da protect, microfranquia especializada
em levar seguros e soluções para gestão que atendam às necessidades específicas
de micro, pequenas e médias empresas.
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