No meio da
intensa cobertura da mídia à crise da carne, duas notícias sobre um mesmo tema
passaram quase despercebidas, mas que, pela tendência positiva que sinalizam,
merecem ser ressaltadas. Num cenário marcado por turbulências políticas,
economia em início de recuperação e sem oferta dos tradicionais financiamentos
subsidiados pelos cofres públicos, vale comemorar o interesse que o leilão de
quatro aeroportos – Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador –
despertou entre investidores internacionais de boa imagem no mercado: com ágio,
a contribuição fixa inicial rendeu R$ 1,4 bilhão aos cofres federais e, ao
longo do contrato, serão carreados mais R$ 3,4 bilhões.
Outro sinal
animador: o leilão das concessões dos 570 km da Rodovia do Centro-Oeste, que
corta o Estado de São Paulo ligando as divisas de Minas Gerais e do Paraná, foi
vencido com a oferta de R$ 917,2 milhões, um valor 30% acima do mínimo
estabelecido no edital. Tudo somado, analistas consideram que foram testes bem
sucedidos para dar velocidade aos Programas de Parcerias de Investimentos
(PPI), que prevê colocar em oferta outros empreendimentos nas áreas de
saneamento, energia e transportes.
Além do
dinheiro novo que injeta nas contas públicas, o interesse nas privatizações e
concessões dá esperança aos setores que há muito esperam investimentos em
infraestrutura para assegurar a sustentabilidade do desenvolvimento. Além do
que, os grupos vencedores deverão investir mais recursos na modernização dos
empreendimentos que arremataram. Com isso, serão gerados empregos, aumentará a
arrecadação de impostos, ocorrerá a revitalização de economias regionais
combalidas. Melhor de tudo: o cidadão será mais bem servido por serviços
públicos que não precisam, inevitavelmente, pertencer aos governos. Estes,
claro, não estarão ausentes dos empreendimentos, pois farão bem sua parte ao
fiscalizar com rigor o cumprimento das cláusulas dos contratos de privatização
e de concessões.
Luiz Gonzaga Bertelli - presidente do Conselho de
Administração do CIEE
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