Psicopedagoga
confronta os mitos sobre discalculia, disortografia e disgrafia, e ensina como
os pais podem identificar e ajudar os filhos
Conceitos matemáticos
Sheila
Leal explica que a discalculia acompanha alguns casos de dislexia, e significa
falta de habilidade com conceitos matemáticos. “A discalculia não deve ser
confundida com o simples fato de uma criança não gostar de matemática na
escola”, explica. A especialista ensina que a discalculia pode ser vista até
mesmo antes de uma criança aprender cálculos matemáticos mais complexos. “Ela
pode ser vista a partir dos 4 anos, por exemplo, em crianças que não conseguem
aprender a diferença entre horários da tarde e da manhã, ou não consegue se
familiarizar com o calendário”.
Segundo
a psicopedagoga, a discalculia pode ter grau leve, moderado ou severo. “O grau
do distúrbio também depende muito dos estímulos dados pelos pais, mas
infelizmente é muito difícil de diagnosticar, já que existe apenas um teste que
ainda não é reconhecido”, explica. Uma das formas de trabalhar matemática com
crianças que têm este distúrbio é focando em questões multissensoriais. “O
professor terá que colocar os sinais matemáticos em cores diferentes, assim
como usar a criatividade para fazer associações de cálculos e números com
objetos e outras brincadeiras, por exemplo”, explica Sheila, que alerta para a
importância do professor no desenvolvimento da criança com discalculia.
A forma ortográfica
Sheila
ensina que a disortografia ocorre quando a criança não consegue entender e
aplicar as regras gramaticais. Ou seja, uma mesma palavra pode ser escrita
de várias formas: causa; calça;causa… A dificuldade é mais evidente pois não
consegue assimilar as regras gramaticais. E não adiante solicitar que a
criança escreva a mesma palavra várias vezes.
A
especialista adverte que a disortografia não pode ser associada à falta de
inteligência. “Como ela está associada à dislexia, e este distúrbio ocorre em
pessoas com QI médio ou superior, precisamos derrubar esse mito”.
Apesar
de a escola ter papel fundamental nos estímulos de crianças com este distúrbio,
Sheila explica que há diversas atividades que os pais podem fazer em casa para
estimular os filhos. “Brincar de forca ou atividades de soletrar, por exemplo,
são ótimas brincadeiras”, conta, acrescentando uma ideia que pode ser feita ao
fim de uma refeição. “Você pode brincar com as crianças de começar guardando na
geladeira apenas o que tem a letra S, por exemplo”, explica.
As letras e a coordenação motora
A
disgrafia é um distúrbio totalmente ligado à coordenação motora, e tem relação
essencialmente com a forma de escrever as letras. “As crianças com disgrafia
possuem dificuldade de pegar no lápis da forma correta, aplicam a pressão
errada no papel e muitas vezes não entendem o espaço da linha”, resume Sheila.
A especialista também lembra que há casos de disgrafia no qual o paciente não
entende que a escrita deve ser feita da esquerda para a direita, por exemplo.
A
disgrafia, embora se manifeste com mais clareza no início da alfabetização,
pode ser identificada um pouco antes. “Desde a primeira infância, é possível
observar se a criança compreende a diferença entre esquerda e direita, e pode
ter dificuldade para definir força e direção na hora de chutar uma bola, por
exemplo”, conta. Segundo Sheila, a partir dos 4 anos já é possível identificar
características da disgrafia, e por isso sugere algumas atividades que podem
tanto ajudar na identificação quanto amenizar os efeitos negativos da
disgrafia. “Pedir ajuda dos filhos para colocar a mesa, ou brincar durante o
banho pedindo para que lave primeiro o braço direito e depois o esquerdo, por
exemplo, são formas de aprimorar a lateralidade do cérebro”, indica.
Por
fim, Sheila destaca a importância de haver uma relação de parceria dos pais com
a escola, e de que os pais estimulem brincadeiras educativas ou que trabalhem a
coordenação motora, como escrever com o dedo no vidro do banheiro, por exemplo.
A psicopedagoga desencoraja o uso de cadernos de caligrafia para crianças com
disgrafia, já que eles podem representar dificuldades demais e linhas muito
finas. “No entanto, o uso de tablets e computadores pode ser uma ótima ideia,
porque eles têm aplicativos excelentes para treinar a letra e estimular as
crianças, e ainda oferecem uma opção para que os alunos digitem em vez de se
limitarem à escrita cursiva”, destaca Sheila, que adverte para que os tablets
sejam usados como complementares, e não substitutos absolutos de qualquer
prática de escrita.
Sheila
Leal - Fonoaudióloga, psicopedagoga e
especialista em dislexia. traz um novo olhar sobre o papel dos pais na evolução
e aprendizagem das crianças
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