segunda-feira, 31 de julho de 2023

Adenoide: é possível conviver com ela?

Otorrino do Hospital Paulista explica que sintomas são os principais fatores de definição para cirurgia e alerta para consequências do não tratamento dessa disfunção, conhecida como "carne esponjosa"

 

Obstrução nasal, voz anasalada, problemas de crescimento na infância, ronco, apneia, cansaço diurno, agitação, irritabilidade, hiperatividade, dificuldade de concentração, desalinhamento da arcada dentária, bruxismo, tosse, otites, sinusites... É grande a lista de consequências danosas que a chamada hipertrofia de adenoide – a popular “carne esponjosa” – pode oferecer quando não tratada adequadamente, ou mesmo ignorada.

Muito comum nas crianças, essa disfunção, que acontece numa pequeníssima estrutura localizada atrás das cavidades nasais e acima do palato (céu da boca), pode persistir durante a adolescência e na fase adulta, trazendo uma série de problemas, a exemplo dos já descritos, que comprometem, sobretudo, a qualidade de vida.

Sendo assim, é importante tratá-la o mais precocemente possível. De preferência, ainda na infância, justamente para evitar tais consequências, conforme explica a Dra. Leila Tamiso, médica otorrinolaringologista do Hospital Paulista – referência em saúde de nariz, ouvido e garganta.

"O ideal é que, desde cedo, os pais já se atentem às crianças que dormem mal, que se mexem muito à noite, que babam muito no travesseiro. Esses são comportamentos bastante sintomáticos, especialmente quando acompanhados de obstrução nasal recorrente e respiração pela boca", observa a especialista.

O termo “carne esponjosa”, a propósito, é devido ao inchaço das adenoides ou dos cornetos nasais (estruturas da parte interna do nariz), que dificulta a passagem do ar e, com o tempo, pode gerar consequências físicas, como o atrofiamento de ossos da face, além de problemas ortodônticos.

"Casos crônicos, quando não tratados, resultam em problemas de dentição na adolescência e na fase adulta, como o desalinhamento da arcada dentária, além da alteração do crescimento dos ossos da face, principalmente dos ossos maxilares, que chamamos de maçãs do rosto", alerta Dra. Leila.

A opção pela cirurgia, ou não, leva em conta, principalmente, o tamanho desse inchaço. Ou seja, até que ponto essa carne esponjosa interfere nas estruturas da face. "Se for de tamanho médio ou pequeno, é indicado o tratamento clínico com medicação, sem necessidade de cirurgia, somente com o auxílio de sprays nasais à base de corticoides e antibióticos, quando tiver associado a infecções (adenoidites)”, afirma a especialista.

Já nos casos mais graves, ela explica que, além do procedimento cirúrgico, é comum haver a necessidade de fonoterapia - técnica aplicada para trabalhar, sobretudo, problemas na fala. "Isso porque, geralmente, esses pacientes têm uma hipotonia da musculatura perioral (ao redor dos lábios), como se fosse uma flacidez por ter respirado pela boca ao longo de muitos anos e não conseguir mais manter os lábios cerrados”, reitera Dra. Leila.

Nas duas situações, o diagnóstico se dá, inicialmente, a partir do exame físico, observando face, boca e nariz, acompanhado de alguns exames auxiliares, como raio-x de cavum e nasofibrolaringoscopia. "Esses exames trarão uma visão geral sobre a qualidade da respiração e o tamanho da adenoide, o que dará todos os elementos que o médico precisa saber em relação à necessidade de cirurgia, ou não", finaliza.


Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

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