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| rabizo94 |
Nas cirurgias de reconstrução mamária, realizadas
após a mastectomia, a posição do implante de silicone, na frente ou atrás do
músculo peitoral, divide entendimentos entre os mastologistas. No entanto, um
estudo apresentado na Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla
em inglês), uma das mais respeitadas organizações médicas internacionais a
orientar decisões no tratamento de pacientes com câncer em diversas partes do
mundo, demonstra o mais alto nível de evidência científica para esta importante
questão na prática oncológica. A investigação que reúne pesquisadores de 10
países, incluindo o Brasil, conta com a participação da Sociedade Brasileira de
Mastologia (SBM).
O estudo “Desescalonamento cirúrgico da
reconstrução mamária no tratamento e prevenção do câncer de mama:
posicionamento pré-peitoral versus subpeitoral dos implantes” envolveu 26
centros em 10 países. O mastologista Regis Paulinelli, presidente do
Departamento de Relações Internacionais da SBM, participa como autor.
Na investigação randomizada, com a participação de
383 pacientes submetidas à mastectomia, a opção em metade das reconstruções
mamárias foi pelo implante pré-peitoral, ou seja, na frente do músculo
peitoral. Na outra metade, o posicionamento da prótese foi subpeitoral, atrás
da musculatura peitoral.
“Até a conclusão da pesquisa, as respostas sobre
benefícios e riscos sobre a posição do implante de silicone na reconstrução
mamária eram baixas”, afirma Regis Paulinelli. Porém, a apresentação oral do
estudo no congresso 2026 da ASCO trouxe evidência científica nível 1,
caracterizado por estudo randomizado.
“O estudo revela dados interessantes”, aponta
Paulinelli. “Entre as mulheres que receberam a prótese por cima do músculo
(pré-peitoral), observamos, por exemplo, menos contratura capsular. O retorno
das pacientes, num primeiro momento, demonstra maior satisfação com a
reconstrução mamária e bem-estar físico.”
Após 24 meses, com resultados mensurados pelo
questionário Breast-Q que valida qualidade de vida e satisfação após cirurgias
mamárias, essas mesmas pacientes tiveram outras percepções. A pesquisa elenca
dor na mama ou tórax, sensação de aperto, sensibilidade dolorosa, desconforto
persistente, dificuldade para movimentar os braços, dificuldade para dormir e
linfedema. Como desfechos secundários, o mastologista destaca a perda não
planejada do implante e também a necessidade de o substituir. Também como fator
importante, o estudo indica a possibilidade a mais de extrusão da prótese em
6%.
No grupo de mulheres submetidas ao implante
subpeitoral, as respostas ao questionário Breast-Q após 24 meses foram de
bem-estar físico na região torácica (74,3) contra 79,2 das pacientes que
receberam implante pré-peitoral.
Entre benefícios e riscos, o mastologista Regis
Paulinelli ressalta que este estudo com evidência científica nível 1 traz
avanços importantes à prática oncológica. “Com base em conhecimentos
apresentados pela pesquisa, hoje podemos decidir com mais segurança sobre as
melhores alternativas em reconstrução mamária, considerando características
individualizadas das pacientes e dos tumores”, conclui.

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