Especialistas explicam 9 das principais dúvidas sobre vacinação infantil e por que doenças consideradas controladas ainda representam risco
Dados
recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 14 milhões
de crianças no mundo não receberam sequer uma dose básica de vacinação¹. O
alerta preocupa autoridades sanitárias porque a queda na cobertura vacinal
aumenta o risco de circulação de doenças como sarampo, poliomielite e
coqueluche.
Para
ajudar pais e responsáveis a entender a importância da imunização infantil,
Luisa Chebabo, infectologista do Bronstein e Sérgio Franco, marcas da Dasa e
Maria Isabel de Moraes-Pinto, coordenadora em vacinas da Dasa, respondem às
principais dúvidas sobre o tema.
1.
Se doenças como poliomielite e sarampo quase não aparecem mais, por que meu
filho precisa se vacinar?
“Justamente
porque a vacinação foi eficaz. Muitas das doenças que hoje parecem distantes
deixaram de circular graças às altas coberturas vacinais alcançadas ao longo
das últimas décadas. Quando a vacinação diminui, essas doenças podem voltar a
aparecer, como já ocorreu recentemente com surtos de sarampo em diversos
países²”, afirma Maria Isabel de Moraes-Pinto.
2.
Quais são as vacinas mais importantes nos primeiros anos de vida?
“Todas
as vacinas previstas no calendário infantil são importantes porque protegem
contra doenças diferentes. Entre elas estão BCG, hepatite B, pentavalente,
poliomielite, pneumocócica, meningocócica, rotavírus, tríplice viral, influenza
e Covid-19³⁴”, enfatiza a coordenadora em vacinas da Dasa.
3.
Atrasar algumas doses pode trazer riscos?
Sim.
Segundo Luisa Chebabo, “cada vacina é programada para ser aplicada em um
momento específico do desenvolvimento da criança, quando ela precisa daquela
proteção. O atraso pode deixar períodos em que o organismo permanece vulnerável
a infecções potencialmente graves”.
4.
Meu filho é saudável. Ainda assim precisa seguir todo o calendário vacinal?
Sim.
“As vacinas não são indicadas apenas para crianças com doenças ou condições
especiais. Elas fazem parte da proteção de rotina de qualquer criança saudável
e ajudam a evitar complicações, hospitalizações e até mortes por doenças
infecciosas”, afirma o infectologista.
5.
Como saber se a carteira de vacinação está atualizada?
Segundo
Maria Isabel de Moraes-Pinto, “a recomendação é que os pais consultem
regularmente a caderneta de vacinação da criança e mantenham acompanhamento com
o pediatra. Em caso de atraso, é possível realizar esquemas de atualização sem
necessidade de reiniciar as doses já aplicadas”.
6.
Vacinar apenas meu filho é suficiente para protegê-lo?
Não.
Para Luisa Chebabo, a proteção é mais eficaz quando toda a família também
mantém suas vacinas em dia. “Pais, avós, cuidadores e pessoas que convivem com
a criança devem estar protegidos contra doenças que podem ser transmitidas
dentro do ambiente familiar”, explica.
7.
Existe alguma forma de facilitar a vacinação das crianças?
“Hoje
existem serviços que permitem a aplicação de vacinas em domicílio, oferecendo
mais comodidade para famílias com recém-nascidos, crianças pequenas ou
dificuldade de deslocamento. O mais importante é que a vacinação aconteça
dentro dos prazos recomendados”, destaca Maria Isabel de Moraes-Pinto.
Atualmente,
a vacinação domiciliar permite que famílias tenham acesso a diversas vacinas
recomendadas para crianças sem necessidade de deslocamento, contribuindo para a
manutenção do calendário vacinal em dia.
8.
Por que tem vacinas que são indicadas só para bebês e idosos, como a VSR? E tem
vacinas que são indicadas a partir dos 9 anos, como HPV?
"Cada
vacina tem uma faixa etária específica porque os riscos e a resposta
imunológica variam ao longo da vida. No caso da VSR, bebês e idosos são os
grupos mais vulneráveis a complicações graves pela doença, por isso a proteção
é direcionada a eles. Já o HPV é indicado a partir dos 9 anos porque a vacina é
mais eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual, quando o organismo
ainda não teve contato com o vírus. O calendário vacinal é construído com base
nessa lógica: vacinar a pessoa certa, no momento certo, para garantir a máxima
proteção", afirma Luisa.
9.
Crianças também precisam se vacinar contra a herpes-zóster?
"A vacina
contra herpes-zóster é indicada principalmente para adultos a partir dos 50
anos, porque a doença se manifesta quando o vírus da varicela, que fica latente
no organismo após a infecção na infância, se reativa com o enfraquecimento
natural da imunidade ao longo dos anos. Para as crianças, a prioridade é a
vacina contra a varicela, que previne a infecção primária e, consequentemente,
reduz as chances de desenvolver o zóster no futuro", explica Maria Isabel.
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