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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Dia Nacional da Imunização: o papel da vacina em cada fase da vida

Da infância ao envelhecimento, a vacinação é essencial para prevenir doenças, reduzir complicações e proteger a saúde coletiva em todas as idades

 

Embora frequentemente associada à infância, a vacinação é uma medida de proteção indispensável ao longo de toda a vida. No Dia Nacional da Imunização, celebrado em 9 de junho, a médica e professora da disciplina de infectologia do curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic de Campinas, Valéria Almeida, reforça que adolescentes, adultos e idosos também precisam manter a carteira vacinal atualizada para reduzir o risco de doenças infecciosas, hospitalizações e complicações graves.

Nos últimos anos, a queda na cobertura vacinal e o avanço da desinformação reacenderam o alerta para doenças que já estavam controladas. “Vacina não é uma proteção restrita à infância. O sistema imunológico muda ao longo da vida e, em diferentes fases, precisamos reforçar a proteção contra doenças que podem trazer complicações importantes”, explica a médica.


Vacinação em cada fase da vida


Infância: proteção desde os primeiros meses

É na infância que se concentra grande parte do calendário vacinal. Nessa fase, as vacinas ajudam a prevenir doenças potencialmente graves, como poliomielite, sarampo, meningite, coqueluche e hepatites. Além da proteção individual, a imunização infantil também reduz a circulação de vírus e bactérias na comunidade. “A vacinação de bebês e crianças é uma das principais estratégias de saúde pública para evitar surtos e controlar doenças infecciosas. A vacinação previne inúmeras doenças infeciosas, que especialmente em bebês podem causar sequelas ou até mesmo o óbito. Além disso, vacinas como a do VSR ajudam a evitar infecções respiratórias durante o pico de circulação do vírus, deixando não apenas os pais mais tranquilos e crianças protegidas, mas os hospitais menos sobrecarregados”, destaca.


Adolescência: reforços e novas proteções

Na adolescência, muitas famílias deixam de acompanhar a carteira vacinal, o que pode levar à perda de reforços importantes. Vacinas contra HPV, meningite meningocócica e reforços contra tétano e difteria fazem parte das recomendações dessa faixa etária.

Segundo o especialista, essa também é uma fase estratégica para conscientizar os jovens sobre prevenção. “É muito comum que os pais de adolescentes descuidem das vacinas dessa faixa etária. No entanto, é nesta fase que o adolescente começa a assumir mais autonomia sobre a própria saúde e deve ser incentivado a vacinar-se e a entender a importância da vacinação para a vida adulta”.


Vida adulta: vacinas esquecidas e baixa adesão

Entre adultos, é comum a falsa percepção de que não existem mais vacinas necessárias. No entanto, imunizantes como gripe, hepatite B, febre amarela, tríplice viral e reforços contra tétano seguem sendo recomendados em diferentes situações.

A vacinação anual contra a gripe e as doses atualizadas contra Covid-19 continuam sendo especialmente importantes para pessoas com doenças crônicas, profissionais da saúde, gestantes e grupos mais vulneráveis. “Muitos adultos só descobrem que estão com a carteira vacinal desatualizada quando precisam viajar, engravidar ou passam por algum problema de saúde”, explica a médica.


Envelhecimento: mais proteção para um sistema imunológico fragilizado

Com o avanço da idade, o sistema imunológico sofre um processo natural de enfraquecimento, tornando os idosos mais suscetíveis a infecções e complicações graves. Isso é chamado de imunossenescência.

Nessa fase, vacinas contra gripe, pneumonia, Covid-19, herpes-zóster e VSR ganham ainda mais relevância. “Doenças respiratórias que poderiam parecer simples podem levar à internação em idosos. A vacinação ajuda a reduzir casos graves, hospitalizações e mortalidade”.


Desinformação e queda da cobertura vacinal

Além da baixa adesão, a disseminação de informações falsas sobre vacinas nos últimos anos também preocupa profissionais de saúde. “Quando a população deixa de se vacinar, doenças antes controladas podem voltar a circular. O sarampo é um dos principais exemplos disso, já que a queda da cobertura vacinal favorece novos surtos e aumenta o risco de transmissão. Outras doenças imunopreveníveis, como poliomielite, coqueluche e meningite, também podem reaparecer quando há baixa adesão às vacinas. A vacinação é uma proteção individual e coletiva e depende da participação de toda a sociedade”, reforça a infectologista.

Para ajudar a população a acompanhar as recomendações vacinais em cada fase da vida, informações atualizadas sobre o calendário de imunização podem ser consultadas no site da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

  

São Leopoldo Mandic

 

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