terça-feira, 9 de junho de 2026

Dia Internacional de Conscientização sobre o Albinismo alerta para riscos à saúde e importância do diagnóstico precoce

Projeto desenvolvido no Rio Grande do Sul acompanha indígenas com albinismo e será uma das ações da Sociedade Brasileira de Dermatologia no âmbito do Dia Mundial da Saúde da Pele 

 

Celebrado em 13 de junho, o Dia Internacional de Conscientização sobre o Albinismo tem como objetivo ampliar o conhecimento da população sobre a condição genética, combater o preconceito e reforçar a importância do acesso à assistência médica especializada. A data também chama a atenção para os desafios enfrentados por pessoas com albinismo, especialmente em relação à saúde da pele e da visão.

O albinismo é uma condição genética hereditária caracterizada pela redução ou ausência da produção de melanina, pigmento responsável pela coloração da pele, dos cabelos e dos olhos. Além das características físicas mais conhecidas, pessoas com albinismo costumam apresentar diferentes graus de deficiência visual e são mais vulneráveis aos danos causados pela radiação ultravioleta.

“A ausência da proteção natural proporcionada pela melanina aumenta significativamente o risco de queimaduras solares, lesões pré-cancerosas e câncer da pele. Por isso, medidas como uso diário de protetor solar, roupas de proteção, chapéus de aba larga e acompanhamento dermatológico regular são fundamentais para a prevenção de complicações”, explica Dr. Renan Bonamigo, médico dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Embora seja considerada uma condição rara na população geral, o albinismo pode ocorrer com maior frequência em determinados grupos populacionais. Em comunidades relativamente isoladas, fatores genéticos e históricos podem favorecer uma maior concentração das variantes hereditárias associadas à condição ao longo das gerações.

Uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificou 18 agrupamentos de albinismo no Brasil, muitos deles em comunidades indígenas. Segundo os autores, fatores como efeito fundador, isolamento geográfico e características históricas da formação dessas populações ajudam a explicar a maior frequência da condição em determinados territórios.

No Brasil, uma das regiões que despertou a atenção de pesquisadores é a Terra Indígena Guarita, localizada no norte do Rio Grande do Sul. Durante atendimentos realizados pelo Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi identificada uma ocorrência de albinismo superior à observada na população em geral, o que motivou estudos para compreender melhor as características genéticas da população local.

A partir dessas observações, foi criado um projeto de acompanhamento dermatológico acoplado ao já existente projeto da Genética da UFRGS, iniciativa que busca promover assistência periódica à população indígena da região, com atenção especial às pessoas com albinismo e à prevenção do câncer da pele. 

Neste ano, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) apoia a divulgação da iniciativa como parte das ações relacionadas ao Dia Mundial da Saúde da Pele (World Skin Health Day), campanha internacional promovida pela Liga Internacional das Sociedades Dermatológicas (ILDS). A próxima edição da ação está prevista para julho, e neste dia será designado como Projeto Guarita, pela SBD, reunindo profissionais voluntários para dar continuidade ao acompanhamento dermatológico das comunidades atendidas pela UFRGS.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário