Pesquisar no Blog

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Com baixa adesão à vacina e aumento dos casos de gripe, cardiologista alerta para risco de infarto e AVC após infecção por influenza

Especialista destaca que a gripe pode desencadear complicações cardiovasculares graves, especialmente em grupos de risco


Com a chegada dos meses mais frios e o aumento da circulação de vírus respiratórios, autoridades de saúde têm reforçado o alerta para a vacinação contra a gripe. Em São Paulo, a campanha de imunização contra a influenza segue em andamento, mas a adesão ainda está abaixo da meta estipulada pelos órgãos de saúde, acendendo um sinal de atenção em meio ao crescimento dos casos da doença.

Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde mostram milhares de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à influenza nos primeiros meses do ano, além de centenas de mortes relacionadas à doença. Hoje, a cobertura vacinal do estado em grupos prioritários está em 45,1%, número ainda distante da meta de 90% estabelecida.

A preocupação vai além dos sintomas respiratórios tradicionalmente associados à gripe. Estudos científicos demonstram que a infecção por influenza pode aumentar significativamente o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente em idosos, pessoas com doenças crônicas e pacientes que já apresentam fatores de risco cardíaco.

A relação entre gripe e problemas cardíacos ocorre porque a infecção desencadeia uma resposta inflamatória intensa no organismo. Esse processo pode aumentar a coagulação sanguínea, favorecer a ruptura de placas de gordura nas artérias e elevar a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular.

Estudos indicam que o risco de infarto pode ser até seis vezes maior na primeira semana após uma infecção por influenza. Também há evidências de aumento do risco de AVC e de agravamento de quadros como insuficiência cardíaca em pacientes infectados.

"A gripe costuma ser encarada como uma doença respiratória simples, mas seus impactos podem ser muito mais amplos. Quando o organismo combate uma infecção viral, ocorre uma reação inflamatória importante que pode desestabilizar doenças cardiovasculares já existentes ou até desencadear eventos agudos, como infarto e AVC. Por isso, a vacinação é uma medida que protege não apenas os pulmões, mas também o coração", explica o Dr. Cláudio Nazareno, cardiologista do hospital Hcor.

Além de reduzir o risco de infecção e de formas graves da doença, pesquisas apontam que a vacinação contra a influenza está associada à diminuição de eventos cardiovasculares em pacientes de maior risco. Por esse motivo, sociedades médicas nacionais e internacionais recomendam a imunização anual para pessoas com doenças cardíacas, diabetes, hipertensão e outras condições crônicas.

Os especialistas reforçam que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção, especialmente entre idosos, gestantes, crianças e pessoas com comorbidades. Medidas como higienização frequente das mãos, etiqueta respiratória e evitar contato próximo com pessoas sintomáticas também ajudam a reduzir a transmissão do vírus.

 

Hcor

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados