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segunda-feira, 8 de junho de 2026

A psicologia por trás da Copa: doutora explica por que o torneio gera 'contágio emocional' e como lidar com o luto da derrota

Psicóloga da Unifran detalha como o sentimento de pertencimento une até quem não gosta de futebol e analisa os impactos da perda de expectativas no bem-estar mental.

 

A Copa do Mundo é muito mais do que um torneio esportivo: ela funciona como um poderoso catalisador social capaz de alterar o humor, a rotina e a saúde mental de nações inteiras. Mas como a psicologia explica essa capacidade única de contagiar até mesmo aqueles que não acompanham futebol no dia a dia? 

Para entender a mente do torcedor e o impacto desse fenômeno em nosso bem-estar, a Profa. Dra. Ana Paula Barbosa, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade de Franca (Unifran), analisa os fatores emocionais e sociais que ocorrem no comportamento coletivo durante a competição.
 

Contágio emocional e o sentimento de pertencimento

Segundo a especialista, o primeiro fator-chave para a "euforia coletiva" é o chamado contágio emocional, um conceito amplamente estudado pela psicologia do comportamento. 

"Quando uma pessoa que não acompanha futebol entra em um ambiente onde todos estão vibrando, tensos ou comemorando, ela começa a se contagiar de forma quase inconsciente. Ela passa a sentir a dopamina e a adrenalina do grupo, o que automaticamente gera um profundo senso de pertencimento", explica a docente. 

Esse fenômeno vai além da sensação de simpatia. A psicóloga aponta que pesquisas na interface entre a psicologia e a biologia comprovam que assistir a eventos com forte carga emocional em grupo altera o nosso funcionamento de forma real. 

"Estudos de neurociência hoje mostram que as pessoas que assistem juntas a um evento forte, com carga emocional, entram em uma sincronia neural. Isso é algo extremamente positivo, pois fortalece os laços sociais e o bem-estar coletivo", destaca. 

Além disso, por ocorrer apenas a cada quatro anos, a Copa do Mundo ativa memórias afetivas e históricas na vida das pessoas, promovendo um período de "afeto coletivo" onde as conexões humanas são priorizadas e as rotinas diárias são pausadas em prol da união.
 

O outro lado da moeda: o 'luto coletivo' e a dor da perda

Se a vitória gera entusiasmo e união, a eliminação ou a derrota da seleção pode provocar o efeito oposto, mergulhando ruas e redes sociais em um verdadeiro luto coletivo. De acordo com a especialista, essa reação negativa é um fenômeno psicológico muito real e que precisa ser compreendido. 

A frustração da derrota está diretamente ligada a sentimentos de rejeição e perda de status. 

"A rejeição e a perda de status decorrentes de uma derrota esportiva são sentimentos profundos, que a ciência mostra que podem, inclusive, ativar áreas cerebrais ligadas à dor física. Há também uma quebra abrupta de expectativa. No Brasil, país que ama o futebol, mesmo quem não acompanha o esporte rotineiramente se conecta nesse momento, gerando uma grande projeção de futuro", pontua a coordenadora da Unifran. 

Muitas vezes, a tristeza pós-jogo não se deve apenas ao resultado do placar em si, mas sim à perda do "futuro projetado" que o torcedor construiu em sua mente. 

"Às vezes, o luto não é só pelo jogo em si, mas pela perda do futuro projetado: a festa que não vai mais acontecer, a alegria que foi bruscamente interrompida e os planos de celebração que foram desfeitos", complementa a psicóloga.
 

Como gerenciar as expectativas e proteger a saúde mental

Para que a experiência da Copa do Mundo seja saudável e enriquecedora, independentemente dos resultados em campo, a Dra. Ana Paula sugere que os torcedores busquem ressignificar o papel do torneio em suas vidas, focando no que ele traz de melhor: as relações humanas. 

"Para finalizar, o mais importante é que esse período seja um momento incrível de conexão, de reunião e de aproveitarmos a presença uns dos outros e essa energia boa. Se o resultado esperado não vier, que nós possamos ter a maturidade de guardar a camisa, recolher as bandeiras e compreender que o valor real desse momento não está apenas na vitória ou na derrota, mas sim na nossa capacidade de conexão e união coletiva", conclui. 



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