A Dra. Letícia Mendes Araújo alerta que
apesar de o Brasil ter uma prevalência menor de casos que a de países
asiáticos, é observada uma tendência de crescimento 
Magnific
A miopia vem deixando de ser encarada apenas como um
grau nos óculos para se tornar uma importante questão de saúde pública mundial.
O aumento progressivo do número de casos, especialmente entre crianças e
adolescentes, fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) passasse a
reconhecer a condição como uma doença ocular com potencial de causar
complicações graves ao longo da vida.
“Isso acontece porque a miopia não envolve apenas dificuldade para
enxergar de longe. Hoje sabemos que ela está associada a uma alteração
estrutural do olho, principalmente ao alongamento excessivo do globo ocular.
Esse crescimento pode aumentar o risco de problemas como descolamento de
retina, degeneração macular miópica, glaucoma e catarata precoce, especialmente
nos casos de alta miopia”, esclarece a Dra. Letícia Mendes Araújo,
oftalmologista do H.Olhos, referência em oftalmologia no Estado de São Paulo.
Apesar do crescimento global da condição, a prevalência ainda é
menor na América Latina quando comparada a países asiáticos. Um dos principais
motivos está relacionado ao estilo de vida. Em geral, as crianças
latino-americanas ainda passam mais tempo ao ar livre, o que tem efeito
protetor contra o desenvolvimento da miopia. Também existe menor exigência de
atividades de perto em idades muito precoces, além de possíveis diferenças
genéticas entre as populações.
No entanto, essa realidade vem mudando rapidamente. O aumento do
tempo de exposição às telas, associado às mudanças no estilo de vida e à
redução das atividades externas, faz com que a tendência de crescimento da
miopia também seja observada no Brasil.
A médica alerta que “atualmente, as crianças passam cada vez mais
tempo em atividades como celular, tablet e computador e menos tempo ao ar
livre. Esse comportamento tem relação direta com o aumento da prevalência da
miopia no mundo. Outro fator importante é que o diagnóstico vem acontecendo em
idades mais precoces. E quanto mais cedo a miopia surge, maior o risco de
progressão para graus elevados — justamente os mais associados às complicações
oculares graves”.
Mas, afinal, o que acontece no olho do míope?
De acordo com a Dra. Letícia Mendes Araújo, “o olho míope costuma
ser mais comprido do que o normal. Com isso, a imagem é formada antes da
retina, causando dificuldade para enxergar objetos distantes. Os óculos e as
lentes de contato corrigem essa alteração utilizando lentes negativas, também
chamadas divergentes, que reposicionam o foco da imagem sobre a retina e
restauram a nitidez visual”.
Embora a miopia não tenha cura — no sentido de reverter o formato
alongado do olho — ela possui formas eficazes de correção visual. “Cirurgias refrativas,
como LASIK e PRK, realizadas com uso de laser para remodelar a córnea, podem
reduzir ou até eliminar a dependência de óculos e lentes de contato. Porém é
importante entender que esses procedimentos não diminuem o risco das
complicações associadas à alta miopia, já que a anatomia ocular permanece
alongada”, complementa a oftalmologista do H.Olhos.
De forma geral, a cirurgia refrativa pode ser indicada a partir
dos 21 anos, desde que o grau permaneça estável por pelo menos um ano. Ainda
assim, a avaliação individualizada é fundamental.
O que fazer para evitar o avanço da miopia?
Quando falamos em controle da miopia, o diagnóstico precoce faz
toda a diferença. “Quanto antes a condição é identificada, maiores são as
chances de reduzir sua progressão. Como primeira medida — e isso é algo que
sempre deve ser reforçado aos pais —, aumentar o tempo ao ar livre: é simples,
acessível e muito eficaz. A recomendação é que a criança passe pelo menos duas
horas por dia em atividades externas, mesmo em dias nublados. Além disso,
reduzir o tempo de tela é fundamental”, reforça a especialista.
Atualmente, a Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria recomenda
que a exposição às telas aconteça apenas após os dois anos de idade. A
orientação também se refere à televisão, sendo que o acesso até os dez anos
deverá ser limitado e supervisionado rigorosamente.
Nos casos em que a criança já apresenta miopia com progressão
acima do esperado, existem tratamentos específicos que ajudam a controlar sua
evolução. “Uma das opções é o uso de colírios de atropina em baixa dose, para
reduzir o aumento do grau. Outro recurso são as lentes de óculos ou de contato
projetadas com a tecnologia defocus periférico (desfocagem periférica),
tecnologia óptica que atua no controle da progressão da miopia”, explica a
médica.
Para quem deseja se livrar dos óculos durante o dia, uma alternativa não cirúrgica é a ortoceratologia. “Durante o sono, o paciente usa lentes de contato rígidas especiais que remodelam suavemente a córnea. Elas permitem que a pessoa enxergue perfeitamente durante todo o dia seguinte. Mais do que corrigir o grau, hoje o grande objetivo da oftalmologia é evitar que a miopia progrida para formas mais elevadas e potencialmente perigosas no futuro”, finaliza a Dra. Letícia Mendes Araújo.
H.Olhos
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