Especialistas alertam que alterações
hepáticas podem permanecer assintomáticas por anos; exames laboratoriais são
fundamentais para diagnóstico precoce
Cansaço frequente, desconforto abdominal, enjoo e alterações
digestivas leves raramente são associados a doenças hepáticas pela maioria da
população. No entanto, especialistas alertam que hepatites virais e outras
doenças do fígado podem evoluir silenciosamente, sendo identificadas apenas em
fases mais avançadas, quando já há comprometimento do órgão.
Segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS), mais de 300 milhões de pessoas vivem com hepatites virais crônicas no
mundo. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam milhares de novos casos
diagnosticados anualmente, além de um volume significativo de pessoas que
convivem com a doença sem saber.
Além das hepatites virais, condições
como esteatose hepática (gordura no fígado), cirrose, hepatites autoimunes e
doenças metabólicas relacionadas ao fígado também têm crescido nos últimos
anos, impulsionadas principalmente pelo aumento da obesidade, diabetes,
sedentarismo e consumo excessivo de álcool.
O principal desafio, segundo
especialistas, é que muitas dessas doenças não apresentam sintomas evidentes
nas fases iniciais.
De acordo com o médico patologista
clínico do DB Diagnósticos, doutor Julio Cesar Lemes Macedo, o fígado apresenta
como principais funções: metabolismo, armazenamento de nutrientes e desintoxicação.
Mas deve ser também avaliado como um ambiente imunológico.
“No
fígado saudável, as funções metabólicas e de remodelação precisam de certo grau
de inflamação local. Ocorre ativação imune controlada, permanecendo alerta a
agentes infecciosos, tóxicos e células malignas. Quando se perde a regulação
imunológica, o processo inflamatório se exacerba e ocorre a instalação do
dano”, explica o médico patologista clínico do DB Diagnósticos, doutor Julio
Cesar Lemes Macedo.
Segundo
o especialista, os sintomas característicos das doenças hepáticas incluem
icterícia, fadiga, prurido, dor no quadrante superior direito, distensão
abdominal e hemorragia digestiva. Porém, muitos pacientes diagnosticados com
hepatopatias não apresentam sintomas nas fases iniciais da doença.
Os exames laboratoriais têm papel
essencial tanto na prevenção quanto no monitoramento dessas doenças. Entre os
principais testes utilizados estão dosagens de enzimas hepáticas, bilirrubinas,
marcadores inflamatórios e sorologias para hepatites virais, albumina e testes
de coagulação, além de exames complementares voltados à avaliação metabólica e
imunológica.
Segundo o médico, a realização dos
exames deve levar em conta o contexto clínico epidemiológico de cada paciente.
“As indicações para testes hepáticos
incluem: investigação de pacientes com suspeita de doença hepática, pacientes
com fatores de risco de desenvolver patologias do fígado, antes e após uso de
medicações hepatotóxicas, monitoramento de malignidades e outras patologias
hepáticas”, afirma.
Especialistas também reforçam a
importância da vacinação contra hepatite B, da prevenção às hepatites virais e
da adoção de hábitos saudáveis para reduzir os riscos de comprometimento
hepático ao longo da vida.
A recomendação é que pessoas com
fatores de risco, como obesidade, diabetes, histórico familiar, consumo
frequente de álcool ou alterações metabólicas, mantenham acompanhamento médico
regular e realizem exames de acordo com protocolos estabelecidos.
DB Diagnósticos
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