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| Os livros estimulam a imaginação, a criatividade e o desenvolvimento da linguagem oral e escrita. Freepik |
A alfabetização é um processo que envolve muito
mais do que aprender a soletrar ou copiar palavras. Esse processo pode ser
potencializado em casa, no cotidiano das crianças, com atividades lúdicas e
objetos simples, que as aproximem da leitura e da escrita de forma prazerosa.
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC), a alfabetização deve se desenvolver em contextos significativos, a
partir de práticas sociais de leitura e escrita presentes no cotidiano da
criança. Estudos mostram que é na primeira infância (até os seis anos de idade)
que 90% das conexões cerebrais são formadas. Essas conexões permanecem pelo
resto da vida e, por isso, é de grande importância que os incentivos
apresentados nessa idade sejam constantes e intencionais.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, quanto
mais estímulos adequados de leitura o cérebro recebe, mais fortes e duradouras
são as conexões neurais relacionadas às áreas da linguagem expressiva e
receptiva, como escrita e comunicação. Para isso, recursos facilmente
encontrados no dia a dia, como rótulos, calendários e brinquedos lúdicos,
instigam práticas educativas realizadas fora do ambiente escolar. Esses são
instrumentos com grande potencial de contribuição para o processo de
alfabetização.
A coordenadora editorial da Aprende Brasil
Educação, Patricia Waltiach, explica que é importante valorizar o contato das
crianças com os objetos do cotidiano, músicas, histórias e textos de diferentes
gêneros. Essas experiências ajudam a criança a compreender que a leitura e a
escrita são instrumentos de comunicação social, que fazem parte do seu dia a
dia e das práticas culturais. “A alfabetização deve ocorrer de forma
contextualizada, ou seja, relacionada às experiências da própria criança,
promovendo a conexão da leitura e da escrita com sua vida e seus interesses”
afirma. Ela relaciona sete objetos cotidianos que podem ser grandes aliados na
alfabetização dos pequenos:
- Embalagens
Rótulos de alimentos, caixas e pacotes são ótimos
para a aprendizagem. “Os pais podem ler os rótulos enquanto os apresentam à
criança. Isso ajuda a diferenciar letras de outros símbolos, a reconhecer as
letras do alfabeto, a associar letras e sons, além de ampliar o
vocabulário”, orienta.
- Brinquedos
educativos
Atividades lúdicas são uma das formas mais eficazes
de aprender de maneira leve e prazerosa. “Brinquedos como blocos de montar com
letras, dominós de sílabas e jogos de memória que relacionam figuras e palavras
tornam o aprendizado divertido e interativo”, explica Patricia. Brincadeiras de
“faz de conta”, como o uso de caixas registradoras, telefones e listas de
compras de brinquedo também têm um papel importante. “Simular o cotidiano ajuda
a criança a compreender a função social da escrita”, completa.
- Materiais
de escrita
Os próprios materiais escolares, como lápis,
canetas, giz de cera e cadernos incentivam a escrita e o desenho, além de
desenvolverem a coordenação motora fina. “Ao manipular lápis, papel, canetas e
outros materiais, as crianças fortalecem suas habilidades cognitivas, como a
atenção, a memória e a compreensão de conceitos relacionados à linguagem, além
de desenvolver uma relação de familiaridade com esses objetos, conquistando
autonomia”, acrescenta.
- Livros
e gibis
A leitura compartilhada desses materiais fortalece
os vínculos afetivos entre familiares e crianças, transformando o contato com
os livros em momentos prazerosos e significativos. Patricia destaca que “esses
materiais oferecem narrativas que estimulam a imaginação, a criatividade e o
desenvolvimento da linguagem oral e escrita”. Além disso, gibis, com suas
imagens e diálogos, são especialmente atraentes para os pequenos porque
combinam linguagem visual e textual, facilitando o entendimento e estimulando o
prazer pela leitura desde cedo.
- Revistas
e jornais
Manusear revistas e jornais desperta nas crianças o
interesse pela leitura ao aproximá-las de textos variados do cotidiano. A
especialista destaca que “explorar esses materiais com as crianças torna a
leitura uma experiência interessante e significativa, mostrando que ler vai
além dos livros e está presente em muitos momentos do dia a dia, com diferentes
intenções”.
- Quadros
e cartazes
Murais com palavras do cotidiano, calendários e
listas de tarefas são grandes aliados. “Eles organizam o espaço e o tempo da
criança e, ao mesmo tempo, promovem a leitura diária em contextos cotidianos”,
afirma. Isso permite fazer a relação entre a escrita e situações reais do dia a
dia do pequeno.
- Recursos
digitais
Por que objetos tão presentes no cotidiano, como o
tablet ou o celular, não podem também ajudar na alfabetização? A BNCC contempla
o uso crítico e responsável das tecnologias digitais como parte das
competências essenciais do ensino de crianças a partir de quatro anos de idade.
“Jogos e aplicativos educativos, quando usados com moderação e
intencionalidade, estimulam a curiosidade, a memória e o raciocínio lógico. Mas
atenção: o tempo de tela deve ser sempre equilibrado e acompanhado por um
adulto.”
A alfabetização é um processo gradual e particular.
Ter paciência com o ritmo da criança é essencial. Respeitar o tempo de
aprendizagem, valorizar as pequenas conquistas e manter o incentivo constante
são atitudes fundamentais. “Cada criança tem seu próprio tempo e forma de
aprender. O papel dos adultos é acompanhar, apoiar e celebrar cada avanço, por
menor que pareça, porque é nesse processo que a confiança e o prazer pela
leitura e escrita se constroem”, conclui.
Aprende Brasil Educação
aprendebrasil.com.br

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