Pressões
desiguais, estereótipos de liderança e falta de políticas estruturadas
dificultam avanço profissional de mães, de acordo com a consultoria Robert Half
A maternidade ainda é uma barreira relevante para a
progressão da carreira de mulheres no Brasil. De acordo com a 31ª edição do Índice de Confiança Robert Half (ICRH),
64% das profissionais ainda percebem a maternidade como um obstáculo no mercado
de trabalho. Entre os homens, a percepção é menor: 43% reconhecem o desafio.
O levantamento, realizado com 387 tomadores de decisão e 387 profissionais
empregados, aponta também uma diferença significativa na forma como as pressões
pós-maternidade são percebidas. Enquanto 26% das mulheres dizem sentir que
precisam provar sua competência após se tornarem mães, apenas 13% dos homens
enxergam isso como um entrave enfrentado por elas.
Já estereótipos de liderança atrelados a traços masculinos, como ambição ou
autossuficiência, são apontados por 35% das mulheres como um entrave, contra
26% dos homens. Além disso, os dados revelam que os homens destacam mais o
impacto financeiro para as empresas: 46% deles mencionam a maternidade como um
obstáculo, frente a 29% das mulheres.
“O meio empresarial ainda carrega algumas percepções distorcidas sobre a
maternidade, o que limita o avanço feminino e evidencia uma necessidade de
revisão estrutural dentro das organizações. Essa estereotipização, além de
representar perda de talentos em um mercado cada vez mais competitivo, ignora
as diversas habilidades desenvolvidas com a vivência de ser mãe”, afirma Ana Carla
Guimarães, diretora de recrutamento executivo da Robert Half.
Segundo a pesquisa, os principais obstáculos para o avanço profissional das
mães, tanto na visão de recrutadores quanto de profissionais, são:
1) Percepção de que mães têm
menor disponibilidade e comprometimento;
2) Receio de custos adicionais
com licença-maternidade ou com horários flexíveis;
3) Dificuldade de conciliar
responsabilidades profissionais e familiares sem suporte;
4) Ausência de políticas de
apoio, como creches e licenças prolongadas;
5) Presença de estereótipos de
gênero na liderança.
Apesar do cenário desafiador, há sinais positivos. Entre os tomadores de
decisão, 42% acreditam que o panorama está melhorando. “Temos avanços
importantes, isso é inegável. As novas gerações entram no mercado já demandando
equilíbrio, bem-estar e valorizam empresas com políticas inclusivas. A
parentalidade passou a integrar o debate sobre cultura organizacional, mas
ainda há um caminho relevante a ser percorrido”, observa Ana Carla.
Na avaliação da executiva, a transformação passa por ações concretas. “Podemos
evoluir em direção à ampliação de medidas como jornadas flexíveis, modelos
híbridos, programas estruturados de retorno após a licença e capacitação das
lideranças para tratar o tema com mais empatia e inteligência emocional”,
afirma. “Outro ponto que vejo, felizmente, ganhando destaque é a
licença-paternidade estendida, uma estratégia inteligente para equilibrar
responsabilidades entre pais e mães, permitindo que elas avancem com mais
autonomia e segurança”, conclui.
Robert Half - primeira e maior empresa de soluções em
talentos no mundo. Fundada em 1948, a empresa opera no Brasil selecionando
profissionais permanentes e para projetos especializados nas áreas de finanças,
contabilidade, mercado financeiro, seguros, engenharia, tecnologia, jurídico,
recursos humanos, marketing e vendas e cargos de alta gestão. Com presença
global e atuação na América do Norte, Europa, Ásia, América do Sul e Oceania, a
Robert Half aparece em listas das empresas mais admiradas do mundo. Robert Half
é reconhecida, também, por seu compromisso de promover a igualdade e
proporcionar uma cultura inclusiva.
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