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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

HPV: crianças e adolescentes também precisar ser imunizados

A pediatra Isabella Ballalai ressalta a importância de os pais vacinarem os filhos contra o vírus que pode levar ao câncer¹

 

Alguns tipos de câncer são causados por agentes infecciosos como vírus. O mais comum é o papiloma vírus humano (HPV), responsável pelo câncer de colo do útero, ânus e outras localizações¹. A infecção genital por esse vírus é muito frequente e não causa doença na maioria das vezes. Entretanto, em alguns casos, ocorrem alterações celulares que podem evoluir. Com exceção do câncer de pele não melanoma, o câncer de colo do útero é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina (atrás do câncer de mama e do colorretal) e a quarta causa de morte de mulheres por essa enfermidade no Brasil².

Mas por que vacinar crianças e adolescentes? A pediatra e atual vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim), Dr.a Isabella Ballalai, explica que a vacinação contra o HPV poderia impedir que mais de 90% desses cânceres se desenvolvessem³. "Existem dois tipos de vacina contra o HPV. A quadrivalente, por exemplo, é recomendada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14. Todos os indivíduos nessa faixa etária deveriam receber a vacina. Hoje, sabe-se que a resposta imunológica à vacina é melhor quando aplicada até essas faixas etárias, o que não contraindica a sua aplicação para os demais", explica a médica.

A pediatra ainda esclarece por que é importante que os meninos também se imunizem. "Eles devem receber a vacina para sua proteção. O HPV tem sido relacionado a verrugas genitais, câncer de pênis, ânus e garganta. Além disso, por serem os responsáveis pela transmissão do vírus, ao receberem a vacina estão colaborando com a redução da incidência dos cânceres de colo do útero e de vulva nas mulheres. "

Além disso, o ato de vacinar os jovens contra doenças infectocontagiosas não tem influência na decisão de eles terem ou não atividade sexual futuramente, como muitos pais podem imaginar. "A hepatite B, por exemplo, é uma doença transmitida por via sexual e a vacina é aplicada em todos os bebês no momento do seu nascimento, ainda na maternidade4", exemplifica a Dr.a Isabella. Por isso, quando os adolescentes decidem ter uma relação sexual, eles o fazem independentemente de terem ou não recebido as vacinas necessárias e, por isso, é melhor estarem orientados com relação à prevenção de gravidez e DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), além de devidamente vacinados.

A vacina é distribuída gratuitamente pelo SUS e é indicada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Pessoas que vivem com HIV e pacientes transplantados na faixa etária de 9 a 26 anos também têm indicação da vacina, oferecida gratuitamente nos postos de saúde¹.

 

 

Referências

1 Instituto Nacional de Câncer. HPV e outras infecções. Disponível em: http://www.inca.gov.br/causas-e-prevencao/prevencao-e-fatores-de-risco/hpv-e-outras-infeccoes. Acesso em: 19 de maio de 2020.

2 Instituto Nacional de Câncer. Câncer de colo do útero. Disponível em: http://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-do-colo-do-utero. Acesso em: 19 de maio de 2020.

3 Centers for Disease Control and Prevention - CDC. HPV Vaccine Safety and Effectiveness. Disponível em: http://www.cdc.gov/vaccines/partners/downloads/teens/vaccine-safety.pdf. Acesso em: 19 de maio de 2020.

4 Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) - Calendário de vacinação SBIM Criança. Disponível em: http://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-crianca.pdf. Acesso em: 19 de maio de 2020

 

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