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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Testosterona: de vilã a mocinha.



Novos estudos comprovam os benefícios da reposição hormonal.


A testosterona é um hormônio produzido naturalmente pelo nosso corpo e é responsável por diversas funções, como desenvolvimento muscular, formação óssea, libido e bem estar. Ele é encontrado tanto em homens quanto em mulheres, porém nelas a quantidade é aproximadamente 10 vezes menor que no sexo oposto. Nos homens, ela é produzida principalmente nos testículos, enquanto que nas mulheres, sua produção se dá nos ovários e nas glândulas supra-renais.

Apesar dos seus diversos efeitos benéficos, a produção normal desse hormônio decai a partir dos 30 anos, com uma queda ainda mais acentuada naqueles que fumam, são sedentários e/ou consomem bebidas alcoólicas. Entre os sintomas que podem surgir com essa queda hormonal estão: diminuição da massa muscular e força, aumento da gordura corporal e dificuldade para perder peso, depressão, fadiga, falta de foco, dificuldade de concentração e diminuição da libido. Esses sintomas podem estar presentes tanto em homens quanto em mulheres e podem prejudicar a vida dos indivíduos, piorando ou predispondo a outras doenças, como osteoporose, anemia, diabetes, síndrome metabólica.

O tratamento mais aceitável é feito com testosterona bioidêntica, que é uma estrutura idêntica ao hormônio naturalmente produzido pelo nosso corpo, sob a forma de gel que deve ser usado diariamente, para repor o hormônio, a fim de atingir os valores fisiológicos, melhorando a qualidade de vida de quem sofre com esse problema.

Entretanto, é fundamental o acompanhamento de um especialista, pois a superdosagem do hormônio pode causar efeitos colaterais, como o aumento da próstata e dos glóbulos vermelhos, que são os transportadores de oxigênio no sangue. No caso de alguém com anemia, esse efeito colateral pode até ser benéfico. Mas outros efeitos que podem ocorrer, principalmente se não usado de forma adequada, são o aumento da oleosidade da pele, com consequente aumento de espinhas, perda de cabelo, infertilidade em homens e características masculinas, como engrossamento da voz, nas mulheres.

Antigamente, acreditava-se que o uso de terapia com testosterona aumentava o risco cardiovascular dos pacientes tratados, porém em estudos recentes publicados em importantes revistas médicas internacionais, esse risco não tem sido observado e vê-se até uma diminuição da incidência de doenças cardiovasculares. No mais recente, publicado em abril desse ano, pesquisadores da Califórnia estudaram mais de 44 mil homens acima de 40 anos com deficiência de testosterona. Entre os pacientes que recebiam a terapia de reposição de testosterona (TRT), o risco de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC foi de aproximadamente 30% menor que o grupo sem tratamento.

Até mesmo o risco de câncer de próstata tem sido revisto: um estudo alemão publicado na revista médica Aging Male analisou e comparou biópsias de próstata de paciente recebendo reposição de testosterona e pacientes sem tratamento. Os que recebiam o tratamento apresentaram os menores números de biópsias positivas, sendo que elas se encontravam num estágio menos avançado do que o grupo sem tratamento. Todos esses novos achados vem desmistificando a TRT e fazendo com que ela não seja vista mais como vilã e sim como o mocinho da história.

Vale ressaltar, ainda, que a reposição de testosterona permite a redução da gordura corporal, inclusive da gordura visceral - a grande vilã das doenças do coração -, aumento da massa muscular e da força, que são fatores preditivos para melhor função e menor mortalidade no envelhecimento, além de melhora do humor, da depressão e melhora da vida sexual.

É fundamental que a terapia seja feita somente por médicos para que o acompanhamento seja constante, a fim de regular a dose hormonal que será administrada e controlar os efeitos adversos, que podem ser insignificantes perto dos efeitos positivos na qualidade de vida do ser humano.

 


Renato Lobo - médico, pós graduando em nutrologia, com atuação em emagrecimento, ganho de massa muscular e desempenho esportivo.




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