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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Inflação negativa e desemprego



Não há absolutamente nada no universo econômico que afete mais o psicológico e o emocional das pessoas do que o desemprego, fenômeno que no Brasil já atinge 14,2 milhões de trabalhadores, um número assustador, haja vista que a grande maioria advém da mão de obra não qualificada, gerando apreensão e violência. 

No Brasil, a absorção da mão de obra em larga escala vem de diversos setores, entre eles o da construção civil, ramo de atividade cuja queda foi acentuada. É preciso lembrar que a deflação, ou inflação negativa, é fruto da safra recorde ou da redução das contas de energia elétrica, com o anúncio da bandeira tarifária verde para o mês de junho, o que barateou a energia e contribuiu para a queda dos indicadores inflacionários.

Com efeito, o mérito da política econômica pouco tem a ver com o declínio da inflação, mas resulta do legado de instabilidade política, falta de investimentos, corrupção e, principalmente, da própria lógica do desemprego em massa. Se por um lado a política econômica entende que um corte maior de juros seria aceitável, promovendo aumento de consumo, na outra ponta o gasto público e a dificuldade de ajuste nas contas por parte do Congresso asfixiam a confiabilidade, neutralizando a possibilidade de juros menores, cenário em que consumidores e empresas poderiam obter mais crédito, ou seja, a relação mais crédito-mais investimento poderia dar certo. Contudo, o “mais investimento” sempre esbarra no fator instabilidade política e econômica do país.

Quando me refiro ao legado, temos que levar em conta que a economia do país encolheu 7,2% nos últimos dois anos, portanto, estamos diante de uma brutal recessão. E o que mais me causa estranheza é ouvir o governo Temer afirmar na reunião do G20 que não temos crise, e que há, sim, uma recuperação. Ora, mais uma vez nos deparamos com um cenário de corrupção “ideológico-econômica”, que visa tão somente camuflar os detritos políticos e inflar uma popularidade para “inglês ver”. Pena que os “ingleses”, assim como os grandes investidores, não mais acreditam no pobre Brasil da velha malandragem, que ainda tenta impressionar os incautos.





Fernando Rizzolo - Advogado,Jornalista, Mestre em Direitos Fundamentais, Prof. de Direito



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