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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Dia das mães para quem foi diagnosticada infértil e venceu o diagnóstico


Com dois filhos pequenos, a bancária Sabrina Lira Stoppa, de 39 anos, há nove anos, estaria fadada à infertilidade, decorrente de uma endometriose. Ser mãe era um sonho que a estimulou a buscar o tratamento para a doença. 

 
A endometriose é uma doença insidiosa, que atinge mulheres jovens e na maioria das vezes, apresenta-se permeada de muito sofrimento. Cólicas menstruais fortíssimas são os primeiros sintomas descritos pela maioria das mulheres portadoras da doença. No caso de Sabrina, o percurso até o diagnóstico de endometriose e decorrente infertilidade, segue as descrições clássicas da literatura médica e das pesquisas científicas referentes ao tema.

“Eu sentia muitas dores, inclusive nas relações sexuais, mas o diagnóstico de endometriose veio após o de infertilidade. Eu e meu marido queríamos ter filhos, que é o caminho natural de quem busca construir uma família”, lembra. Os médicos pelos quais ela passou identificaram que seria muito difícil que Sabrina engravidasse, por causa do comprometimento do útero, ovários e trompas.

“O caso de Sabrina é um dos mais comuns que encontramos, dentre as pacientes com esta doença. A demora no diagnóstico e tratamento da Endometriose Profunda causou comprometimento até dos intestinos da paciente. Os órgãos de reprodução feminina estavam muito comprometidos também, mas conseguimos vencer a doença, apesar do quadro complexo. E foi com grande alegria que conseguimos reverter também, o diagnóstico de infertilidade!”, explica Profa. Helizabet Salomão. A médica compõe o corpo clínico da Clínica Ayroza Ribeiro, com especialização em endometriose. É professora assistente da Faculdade de Ciências médicas da Santa Casa de São Paulo,  chefe do setor de Endoscopia Ginecológica e Endometriose da Santa Casa de São Paulo e professora da Pós graduação nesta mesma instituição

Para Sabrina, o Dia das Mães é o melhor dia de sua vida. Mãe de Lucas, 5 anos, e de Laura, 2 anos, refere-se aos filhos como “duas bênçãos” que ela conquistou. Quando lembra da recuperação da cirurgia, que é bem difícil, observa que foi o diagnóstico de infertilidade que a levou a buscar o tratamento correto para a endometriose, que na verdade, era a origem de tudo. Para as mulheres que sofrem de fortes dores no período menstrual, ela recomenda que busquem aprofundamento nos diagnósticos, pois o quanto antes essa doença for detectada, melhor será a qualidade de vida posteriormente. Sabrina hoje vive sua vida plenamente, com sua família e se considera uma mulher feliz e realizada, no trabalho e no âmbito familiar. 


ENDOMETRIOSE

É uma doença que impacta na qualidade de vida de mulheres jovens, em idade produtiva e reprodutiva, e que muitas vezes demora quase uma década a ser diagnosticada. 

Foi descrita inicialmente em 1860 envolvendo útero, ovário e trompas e é definida como a presença de tecido endometrial ectópico (estroma e/ou glândula), em diversas localizações como septo reto-vaginal, região entre vagina e intestino, intestino, ligamento do útero sacro, vagina e bexiga.

Dor crônica é a queixa mais comum entre as portadoras da doença, que vem associada à infertilidade, redução das atividades física e laboral, isolamento social, baixo rendimento no trabalho e interferência nas relações afetivas e familiares.

Outros sintomas recorrentes são queixas de dor nas relações sexuais e infertilidade. A demora no diagnóstico e tratamento pode comprometer toda a região pélvica, com danos nos intestinos, bexiga e reto. "Peritônio e o ovário são os principais tecidos atingidos, mas pode ocorrer também, comprometimento intestinal entre 5,3 % a 12%, alcançar 16% em mulheres assintomáticas e até 30%em mulheres inférteis", relata a professora.


Dados estatísticos

Aproximadamente 66% das mulheres portadoras de endometriose apresentam seus primeiros sintomas até os 20 anos. Destas, 38% expressam sintomas antes dos 15 anos. Ainda assim, o diagnóstico é geralmente obtido entre os 25 anos e 35 anos. Este atraso é decorrente em parte, pela falta de sintomas consistentes e da ausência de teste diagnóstico específico em 47% dos casos.


Dados de conjuntura

  • Falta informação sobre endometriose no sistema público de saúde;
  • 15% das mulheres podem ter endometriose na sociedade;
  • No Brasil estima-se que somem seis milhões de mulheres portadoras;
  • Falta de serviços especializados no diagnóstico e tratamento;
  • Falta de profissionais treinados para atender as portadoras;
  • Ausência de reconhecimento por parte dos órgãos governamentais sobre o problema;
  • Alto custo do tratamento e falta de verba específica para o tratamento;
  • Fila de espera com mais de 250 mulheres portadoras de endometriose intestinal na Santa Casa de São Paulo.






Helizabet Salomão - Professora assistente da Faculdade de Ciências médicas da Santa Casa de São Paulo. Atualmente é chefe do setor de Endoscopia Ginecológica e Endometriose da Santa Casa de São Paulo e professora da Pós graduação nesta mesma instituição. Dedica-se à Ginecologia Minimamente Invasiva com interesse especial à Videolaparoscopia e Videohisteroscopia. É coordenadora da Ginecologia do Núcleo Avançado de Endoscopia Gonecológica (NAVEG), que realiza cursos de treinamento em sutura laparoscópica, simpósio de Anatomia laparoscópica e Treinamento de Laparoscopia em cadáver. Participa de estudos que investigam a interferência de diversos fatores biomoleculares na gênese e na progressão da endometriose, os danos psicológicos e sexuais causados pela doença, bem como os efeitos do tratamento da endometriose na qualidade de vida das mulheres portadoras da doença.




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